Annan pede que missão da ONU no Líbano seja prorrogada

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança que o mandato da missão postada nesta região seja prorrogado por mais um mês enquanto não houver uma decisão sobre a atuação diante do conflito no sul do Líbano.É o que consta no último relatório sobre a força provisória postada no sul do Líbano (Unifil, sigla em inglês), cujo objetivo era a manutenção da paz na fronteira com Israel e que deve ter sua ação reavaliada após os últimos acontecimentos."As hostilidades entre o Hezbollah e Israel desde o dia 12 de julho alteraram radicalmente o contexto no qual a Unifil realiza suas operações", afirma Annan, para quem "as circunstâncias atuais não permitem uma força de manutenção da paz".No relatório, Annan se pergunta como a "Força pode cumprir o mandato que o Conselho de Segurança lhe conferiu em 1978" numa situação em que sofre "restrições para as atividades mais essenciais".O secretário-geral da ONU reconhece que nos últimos anos a Unifil cumpriu sua missão satisfatoriamente, pois velou pelo cessar-fogo, evitou a escalada da violência e levou "ajuda humanitária à população local na região de operações"."No entanto, agora com tiroteios constantes na Linha Azul, onde estradas, pontes e outras obras essenciais de infra-estrutura foram destruídas e a liberdade de circulação é prejudicada, a Unifil não pode retomar sua incumbência", afirma. Para que possa retomar suas tarefas é essencial que cessem as hostilidades", declarou o secretário-geral.Após o final do mandato da Unifil em 31 de julho, e mesmo após o Governo libanês ter pedido a renovação por mais seis meses, Annan optou por pedir ao Conselho de Segurança que se estenda por apenas um mês."Hoje, em uma situação na qual não parece viável o retorno ao ´status quo´ anterior e com o objetivo de que o Conselho de Segurança tenha o tempo necessário para examinar todas as opções possíveis quanto a futuras regras no sul do Líbano, recomendo que prorrogue o mandato por um mês", afirma Annan.Força multinacional Nos últimos dias, o secretário-geral tem se mostrado a favor de que a Unifil seja substituída por uma força multinacional de estabilização, devido à gravidade do conflito entre Israel e o Hezbollah.Em 30 de junho, a Unifil era integrada por 1.990 soldados, procedentes da China, da França, de Gana, da Índia, da Itália e da Polônia.Independente da decisão do Conselho sobre o futuro da missão, Annan advertiu publicamente em seu relatório sobre a "grave insuficiência" financeira que a Unifil atravessa, uma vez que os países-membro devem US$ 71 milhões em contas que não foram pagas.

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