Annan pede rápida retirada de Israel de aldeia libanesa

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, instou Israel a promover uma "retirada em breve" de suas tropas da aldeia libanesa de Ghajar, cumprindo a resolução 1701, aprovada em setembro.Em relatório entregue na quinta-feira ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS), Annan afirma que as únicas tropas estrangeiras que devem estar postadas no Líbano são as que correspondem à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul).Segundo o secretário-geral, o Exército israelense concluiu no dia 1º de outubro a retirada de suas tropas do sul do Líbano, em cumprimento à resolução 1701, com a exceção do contingente postado em Ghajar.Israel entrou no Líbano no dia 12 de julho após a captura de dois de seus militares pela guerrilha libanesa pró-iraniana Hezbollah, em uma incursão no território do Estado judeu. O ataque, no qual morreram outros três militares, desencadeou um conflito de 34 dias que custou a vida de mais de 860 libaneses e 150 israelenses.Nos conflitos, os bombardeios aéreos israelenses provocaram uma vasta destruição em diferentes cidades libaneses. Ao mesmo tempo, os foguetes disparados pelo Hezbollah também paralisaram todo o norte de Israel.O conflito terminou em 14 de agosto com um cessar-fogo administrado pela ONU que estipulava que 15.000 soldados libaneses, com a cooperação de 15.000 da Finul, imporiam a soberania do governo central de Beirute ao sul do Rio Litani, território que, de fato, estava nas mãos do Hezbollah antes da guerra.RelatórioO relatório entregue por Annan é o quarto apresentado até agora sobre a resolução 1559 do CS, aprovada em 2004, na qual exigia-se a retirada das forças sírias do território libanês e o desarmamento das milícias que operam no país.No relatório, Annan detalha a situação geral na qual se encontra o Líbano, bem como os esforços do governo de Beirute para desarmar as milícias e assumir controle total do território nacional.Um dos aspectos positivos, afirma, foi a retirada total das tropas sírias do território libanês, em abril de 2005.Paralelamente, o Exército libanês foi aumentando sua presença em todo o país, especialmente na região sul, algo inédito nas últimas três décadas.A parte negativa, indica Annan, é que o governo libanês ainda não obteve o desmantelamento total das milícias, o que obstaculiza o "estrito respeito à soberania, à integridade territorial, à união e à independência política" do Líbano.A isso, une-se o "severo revés" sofrido pelo país nos últimos seis meses, e que o levou a enfrentar desafios sem igual "desde o final da guerra civil". Além disso, afirma o secretário-geral, "desde o final das hostilidades, impôs-se no país um clima político tenso, que representa um desafio múltiplo para que os libaneses consigam reconstruir seu país e sua economia".

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