Annan pede suspensão do uso de bombas de fragmentação

Um dia depois de a Cruz Vermelha Internacional ter reforçado sua campanha contra o uso de bombas de fragmentação em locais de conflito, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pediu nesta terça-feira (07) a suspensão imediata do uso desse tipo de munição. "Acontecimentos recentes mostram que os efeitos atrozes e desumanos dessas armas - tanto no momento em que são usadas quanto depois do fim dos conflitos - devem ser combatidos imediatamente para que as populações civis possam retomar suas vidas", declarou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU. Ao conceder seu apoio à campanha do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Annan conclamou os participantes de uma reunião em Genebra, realizada nesta terça-feira, a revisarem um tratado sobre o uso de armas convencionais assinado há 26 anos para que sejam encontradas formas de "reduzir e posteriormente eliminar os terríveis efeitos humanitários e o impacto sobre o desenvolvimento" impostos pelas bombas de fragmentação. Muitas vezes pequenas como uma pilha, as bombas de fragmentação são armazenadas em cápsulas de artilharia ou outras munições de maior porte despejadas de aviões. Um desses artefatos pode conter entre 200 e 600 bombas de fragmentação. A cápsula que contém essas bombas explode no ar e espalha os artefatos por uma área de tamanho equivalente a um campo de futebol. Normalmente, de 10% a 15% das bombas de fragmentação não explodem no momento em que atingem o solo. Em alguns casos, a quantidade de artefatos não detonados chega a 80%. As bombas de fragmentação que não explodem na hora podem ser detonadas mais tarde ao menor impacto, explicam especialistas. Pelo aspecto atraente (muitas dessas bombas são coloridas), são comuns os casos de explosão de artefatos de fragmentação nas mãos de crianças. No mais recente caso de uso desse tipo de munição, Israel despejou cerca de 4 milhões de bombas de fragmentação sobre o sul do Líbano durante a guerra de 34 dias travada entre julho e agosto deste ano contra o grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah. De acordo com estimativas da ONU, 40% desses artefatos não foram detonados no momento do impacto e atualmente repousam sobre ruas, casas, praças e campos de cultivo no sul do Líbano. "Enquanto não houver uma proibição efetiva, essas armas continuarão a afetar desproporcionalmente os civis, provocando a morte de mulheres, de crianças e de outros grupos vulneráveis", disse Jan Egeland, subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, em um discurso pronunciado nesta terça-feira em Genebra em defesa da revisão do Tratado sobre Armas Convencionais, de 1980. "A suspensão (do uso de bombas de fragmentação) é essencial e deve vigorar até que a comunidade internacional encontre instrumentos legais eficazes para resolver as urgentes questões humanitárias sobre seu uso", prosseguiu Egeland.

Agencia Estado,

07 Novembro 2006 | 12h02

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