Annan propõe mudar a ONU sem tocar no Conselho de Segurança

Cinco anos após ter lançado a idéia de uma reforma da ONU, o secretário-geral da organização, Kofi Annan, apresentou hoje uma proposta de mudanças para preparar as Nações Unidas para o século 21. Mas, mesmo depois de tantos anos de debates, Annan não tocou no ponto principal: a reforma do Conselho de Segurança (CS), que foi criado ainda baseado no mundo de 1945. O Conselho é composto por 15 membros, dos quais cinco (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) ocupam cadeiras permanentes e com poder de vetar qualquer proposta.Segundo o plano de Annan, a ONU deve ser fortalecida, mas apenas por meio de uma reforma das atividades e do formato da administração. "As questões políticas e que de fato interessam não foram tratadas", afirmou um diplomata de um país em desenvolvimento. Países como o Brasil e Índia defendem a ampliação do Conselho de Segurança para que os países emergentes possam ser representados.Mas Annan prefere se limitar a criticar o excesso de reuniões e coloca cerca de 12 propostas concretas sobre como devem ocorrer os encontros entre os países. O secretário-geral sugere que seja feita uma reprogramação das atividades da ONU, para garantir que a entidade esteja fazendo o que de fato interessa, e não apenas gastando dinheiro em questões irrelevantes. Annan sugere que temas como migração, recursos naturais, prevenção de conflitos e a luta contra o terrorismo sejam fortalecidos nos debates.O relatório publicado pelo secretário-geral ressalta as dificuldades financeiras da ONU. "Nos últimos anos, o orçamento da organização sequer conseguiu acompanhar a inflação, enquanto o número de atividades da ONU aumentou de forma significativa", afirmou Annan, que propôs mudanças no orçamento. O que Annan não diz é que parte da crise financeira se dá pela recusa dos Estados Unidos de continuarem pagando as contribuições para a ONU.Washington, que deveria pagar 25% do orçamento da organização, quer apenas contribuir com 21% a partir do ano que vem. O resultado será o incremento na conta dos outros países, inclusive nos pagamentos do Brasil - que sofrerão um aumento de mais de 60% a partir de 1º de janeiro.

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