Annan quer fim dos ataques "o mais rápido possível"

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pede que a operação militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão termine "o mais rápido possível"."Apenas com o fim dos ataques podemos ajudar a população afegã antes que o inverno chegue", afirma Annan, que reconhece que estão sendo cometidas violações dos direitos humanos no Afeganistão. Segundo Annan, a ONU não está conseguindo atingir seu objetivo de distribuir 60 mil toneladas de alimentos aos afegãos. "Apenas metade desse volume está entrando no país por mês", afirma.Ele teme que, se os ataques continuarem por muito tempo, a aliança que se formou para combater o terrorismo poderá começar a se enfraquecer."Quanto mais tempo levar, mais tensões podem surgir entre os países sobre a estratégia a ser tomada para lutar contra o terrorismo. Temos que nos manter juntos", afirma.Não é a primeira vez que a ONU apela para que haja algum tipo de acordo para que a ajuda humanitária chegue à população do Afeganistão.Há duas semanas, a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, pediu que os ataques fossem pelo menos interrompidos. Mas o apelo foi ignorado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, o que deixou evidenciou a marginalização das Nações Unidas no conflito.Annan não concorda com que a ONU seja posta de lado pelos Estados Unidos. "O combate ao terrorismo exige uma cooperação internacional, e a ONU é o fórum natural para que isso ocorra", afirma o secretário-geral, acrescentando que duas resoluções do Conselho de Segurança são as bases da luta antiterrorismo.O problema é que, nessas resoluções, o mandato da ONU não está claro. Elas dizem apenas que "todos os meios necessários" devem ser usados para combater o terrorismo. "A ONU só tem o poder que os países querem que a organização tenha", reconhece Annan.Ele argumenta que está em debate no Conselho de Segurança a ampliação do mandato da ONU no Afeganistão, o que poderia incluir a participação das Nações Unidas na formação de um novo governo em Cabul."Não existe solução militar para o Afeganistão, apenas uma saída política, e isto exigirá a formação de um governo amplo no país", afirma.Uma parte significativa da comunidade internacional critica a atuação da ONU no Afeganistão. Mas, para muitos, a marginalização das Nações Unidas não deveria surpreender.O egípcio Boutros Boutros Ghali, que ocupou o cargo de secretário-geral antes de Annan, conta em seu livro de memórias publicado no ano passado que o motivo de sua derrota para um segundo mandato foi sua tentativa de tornar a Secretaria-Geral um órgão independente.A atuação de Boutros Ghali não agradou aos Estados Unidos, que foram os únicos a vetar o nome do egípcio para um segundo mandato.Kofi Annan, assim, assumiu em seu lugar, e Boutros Ghali foi o único secretário-geral da história da ONU que não ficou por dois mandatos consecutivos no cargo.Leia o especial

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