Annan se despede do Quênia após acordo para criação de coalizão

O Quênia tem "um longo caminho pelafrente" para que o acordo de partilha do poder entre o governoe a oposição tenha êxito, disse o mediador Kofi Annan nodomingo, quando deixou Nairóbi após seis semanas de negociaçõesexaustivas. O presidente Mwai Kibaki e o líder oposicionista RailaOdinga assinaram na quinta-feira um acordo para a formação deum governo de coalizão, visando pôr fim a quase dois meses deturbulência política e derramamento de sangue após a eleição de27 de dezembro, cujos resultados foram contestados. A calma voltou ao país, após semanas de violência quedeixaram mil quenianos mortos e obrigaram 300 mil a abandonarsuas casas. Agora, políticos de ambos os lados iniciaramnegociações mais detalhadas para decidir como será implementadoo acordo de coalizão. O Parlamento será reaberto em Nairóbi na quinta-feira edeve ratificar o acordo de coalizão, que concede a Odinga ocargo de primeiro-ministro. As atenções vão se voltar a ele e Kibaki, para saber seeles conseguirão superar sua relação frequentemente conflitivapara trabalharem em conjunto. "Fico satisfeito por termos chegado até aqui, mas aindatemos um longo caminho pela frente. Eu gostaria que todos vocêscontinuassem engajados", disse a jornalistas Kofi Annan, quemediou o acordo para a formação da coalizão. "Queremos que o Quênia volte a ser o Quênia de antes.Estável, pacífico, próspero, hospitaleiro", disse oex-secretário-geral da ONU. A violência devastou o setor turístico queniano, maiorfonte de divisas do país e que no ano passado rendeu quase 1bilhão de dólares ao Quênia. A moeda nacional, o xelimqueniano, só recuperou seu valor depois de fechado o acordo daquinta-feira. A violência explodiu em muitas partes do país depois deKibaki tomar posse da Presidência em 30 de dezembro, após umaeleição que, segundo Odinga, foi fraudada. Kibaki negou aacusação e acusou Odinga de incitar a violência. Kofi Annan iria a uma reunião ambiental a Kampala antes deretornar a Genebra. "Me despeço, mas não vou desaparecer", disse ele. "Voltareiquando minha presença for necessária."

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