Annan visita a Síria para pressionar o governo a evitar o envio de armas ao Hezbollah

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chegou na Síria nesta quinta-feira para pressionar o governo de Damasco a se unir aos esforços internacionais no sentido de impedir o envio de armas ao Hezbollah, e conseguir a libertação dos soldados israelenses capturados pelas guerrilhas.A visita de Annan a Síria, nação que exerce influência sobre o Hezbollah, acontece após sua passagem pelo Líbano e Israel, onde pediu aos governos que implementem em sua totalidade a resolução do Conselho de Segurança da ONU que encerrou com o conflito entre Israel e o Hezbollah, no dia 14 de agosto. O chefe da ONU voou da Jordânia para Damasco, onde afirmou que há condições para a criação de laços entre o Líbano e Israel. "Esta é a oportunidade de mexer as coisas para uma relação normal entre Israel e Líbano, se a resolução 1701 for implementada em sua totalidade", disse Annan. "Precisamos implementar a 1701 e investir na construção de relações entre Israel e o Líbano", assim como com outros vizinhos árabes para "estabilizar a região." O primeiro-ministro Ehud Olmert disse, na quarta-feira, que tem esperanças de que o cessar-fogo com o Hezbollah poderia levar a um acordo de paz permanente com o Líbano, mas seu homólogo libanês, Fuad Siniora, recusou a idéia, dizendo que seu país seria a última nação árabe a fazer paz com o Estado judeu. A resolução da ONU demanda a libertação incondicional dos soldados israelenses capturados em um ataque no território judeu que desencadeou a guerra, e também estabelece o envio das forças internacionais ao sul do Líbano. Mas Israel demanda que as forças internacionais também ocupem a fronteira entre o Líbano e a Síria a fim de prevenir o envio de armas para o Hezbollah, o que a Síria considera "um ato hostil". Annan começou sua viagem de onze dias pelo Oriente Médio na segunda-feira em Beirute, onde pediu a cooperação dos dois lados, dizendo que países vizinhos devem tomar medidas para proteger suas fronteiras. Se dirigindo à Síria, mas sem dizer o nome do país, Annan disse que "gostaria de ver os países vizinhos em cooperação total para resolver assuntos relacionados à fronteira". A Síria e seu aliado Irã há tempos apóiam o Hezbollah em sua luta contra IsraelAs relações entre a ONU e Damasco tem sido tensas desde 2004, quando o Conselho de Segurança demandou que a Síria retirasse seu exército e parasse de interferir no Líbano. O assassinato do ex-premiê libanês, Hafik Hariri em fevereiro de 2005 forçou as tropas sírias a deixar o país dois meses depois, terminando com três décadas de dominação no país vizinho.

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