Annan visita Haiti e pede prolongamento da ação da Minustah

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu nesta quinta-feira em Porto Príncipe que o Conselho de Segurança da entidade prolongue o mandato da Minustah (sigla em francês para Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti).Annan, que chegou na quinta-feira a Porto Príncipe em sua primeira visita oficial ao Haiti, recomendou que a presença da missão da ONU no empobrecido e violento país caribenho, onde aconteceram em fevereiro eleições democráticas, estenda-se por um ano.Em uma conferência conjunta com o presidente haitiano, René Préval, no Palácio Presidencial, após se reunir com o chefe de Estado haitiano e com outras autoridades do país, Annan afirmou que "a construção da paz é uma proposta de longo prazo". Além disso, ele anunciou que pediu ao Conselho de Segurança o aumento da "presença das forças da ONU no Haiti por 12 meses."Normalmente, deveria ser para seis meses", disse Annan, que declarou que, por causa da situação de insegurança no país e "pelo peso que temos na cabeça", a recuperação do Haiti tem que ser realizada através de um grande esforço conjunto.Segundo Annan, o prolongamento da presença da Minustah permitirá o reforço e a profissionalização da Polícia haitiana para poder combater os crimes no Haiti.Ele afirmou que "os problemas do Haiti são grandes" e cumprimentou os passos dados até o estabelecimento do Governo do presidente Préval em maio. Além disso, declarou que um "Governo de abertura" saiu das eleições presidenciais e legislativas deste ano.Annan observou uma melhora da situação de segurança no Haiti em comparação ao que havia antes das eleições há seis meses, mas afirmou que "restam para nós muitas coisas a serem feitas".CríticasSobre as "críticas" recebidas pelos haitianos em razão do trabalho da Minustah, ele recomendou que a culpa não seja jogada apenas na missão da ONU, pois "todos devem juntar suas forças para trabalharem juntos".Já o presidente Préval destacou "o papel capital" que a força da ONU está exercendo no país. Ele agradeceu o trabalho realizado pelo anterior chefe da Minustah, o chileno Juan Gabriel Valdés, e avaliou positivamente a presença do atual líder dos capacetes azuis, o diplomata guatemalteco Edmond Mulet.No entanto, Préval disse que ainda existem "muitas dificuldades", e destacou "o problema da insegurança, dos grupos armados, do aumento dos preços do petróleo, do desemprego, da fome, da doença e da reconstrução do Estado"."Estes desafios trazem muito sofrimento, mas as soluções não são fáceis", declarou.Após meses de relativa calma depois das eleições realizadas em fevereiro, que deram a Presidência a Préval, a violência aumentou nos últimos dias em bairros de Porto Príncipe, onde grupos armados tentam alcançar o controle.Annan condenou a onda de assassinatos e seqüestros registrada durante as últimas semanas no Haiti. "Os que cometem esses crimes no Haiti não deveriam se sentir capazes de dizer que são haitianos", declarou, ao destacar os vários problemas sociais e econômicos que arrasam o país caribenho.Ele recordou em várias ocasiões que a Minustah não quer substituir as estruturas haitianas, mas pretende trabalhar com elas. "Não estamos aqui para substituir ninguém", afirmou.A força da ONU, estabelecida no Haiti desde a precipitada saída do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro de 2004, tenta estabelecer alguma ordem no meio do caos que impera no país, um dos mais pobres do mundo.A visita de Annan a Porto Príncipe confirma o apoio internacional ao Governo de René Préval, que surgiu das eleições realizadas em fevereiro e que representa uma esperança para o Haiti, cuja história foi marcada pelas ditaduras e pelo esgotamento dos recursos naturais.Desde que, em 1804, Jean-Jacques Dessalines proclamou a independência do Haiti e se tornou imperador pouco depois, uma sucessão de regimes autárquicos esgotaram os recursos naturais do país, hoje em dia totalmente desflorestado, e impediram o desenvolvimento de infra-estruturas e serviços para a população.Annan, que deveria chegar a Porto Príncipe na quarta, teve que atrasar sua chegada por causa de um problema no avião no qual viajava.O secretário-geral da ONU partirá para a República Dominicana, onde deve se reunir com o presidente dominicano, Leonel Fernández.

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