Ano da Fé termina com saldo positivo, dizem lideranças

Renúncia de Bento XVI, em fevereiro, refletiu-se na agenda do Ano da Fé; Francisco levou adiante a iniciativa, mas no seu estilo

José Maria Mayrink,

24 de novembro de 2013 | 22h16

O Santuário Nacional de Aparecida abriu o Ano da Fé em outubro de 2012 e o encerrou com outra missa, neste domingo, 24, à noite. "Foram celebrações simbólicas para marcar a participação da Igreja no Brasil, porque cada diocese fez a sua própria programação, ao longo dos últimos meses", disse o padre Antônio Luiz Catelan Ferreira, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A renúncia de Bento XVI, em fevereiro, refletiu-se na agenda do Ano da Fé, porque Francisco levou adiante a iniciativa, mas no seu estilo. Em vez de reflexões sobre o sentido da fé, como o papa emérito prometia fazer nas catequeses ou pregações, durante as audiências gerais no Vaticano, seu sucessor optou por uma aproximação maior com as pessoas e incentivou a Igreja a sair da sacristia para as periferias, em consequência da fé. 

Na avaliação do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão para a Doutrina da Fé,, d. Sérgio da Rocha, o resultado do Ano da Fé foi positivo: "O Ano da Fé contribuiu para dar maior importância à centralidade da fé na vida pessoal e na vida da própria Igreja; para redescobrir a beleza e a força da fé cristã; e para dar novo impulso à evangelização (à transmissão da fé)", afirmou. "Foi ocasião especial para conhecer melhor os conteúdos fundamentais da fé, especialmente, o Credo, para celebrar melhor a fé e para animar a vivência e o testemunho da fé na vida cotidiana", acrescentou D. Sérgio adverte que "o Ano da Fé se encerra, mas a tarefa de viver e transmitir a fé continua a desafiar, pois não se pretendia esgotar em um ano a proposta do Ano da Fé". Para o arcebispo, "conhecer, celebrar e viver a fé são atitudes ou tarefas a serem cultivadas todo o tempo, especialmente, numa época em que não basta ser membro da Igreja por costume familiar, mas é preciso estar preparado para dar as razões da própria fé. 

Em São Paulo, o cardeal-arcebispo d. Odilo Scherer convidou a arquidiocese a viver a fé em várias dimensões. Retiros espirituais, encontros do clero, manifestações de rua e reflexões sobre documentos da Igreja marcaram o Ano da Fé nas paróquias e comunidades. "A fé foi a tônica da romaria anual a Aparecida e das peregrinações das seis regiões episcopais à Catedral", afirmou o coordenador da Pastoral da Arquidiocese, padre Tarcísio Marques Mesquita.

Embora essas atividades não tivessem o objetivo explícito de buscar de volta os católicos que se converteram para outras religiões, o Ano da Fé contribuiu para reavivar as comunidades. "Na minha paróquia, que é a de Nossa Senhora do Bom Parto, no Tatuapé, dobrou o número de crianças na catequese e quadruplicou o número de candidatos ao sacramento da crisma", informou padre Tarcísio. Ele atribui esse impulso também à Jornada Mundial da Juventude. Milhares de jovens passaram por São Paulo, na Semana Missionária da Pré-Jornada, antes do encontro com o papa Francisco no Rio.

O coordenador do Núcleo Cultura e Fé, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), professor Francisco Borba Ribeiro Neto, surpreendeu-se com o rumo tomado pelo Ano da Fé, após a eleição do papa Francisco. "Foi importante a percepção da fé como encontro pessoal com Jesus Cristo, uma ideia que já apareceu na encíclica Deus charitas est (Deus é amor), de Bento XVI", disse Borba. "A definição da fé como encontro pessoal com Jesus é um ponto de unidade entre os dois papas",acrescentou. A contribuição de Francisco, na opinião de Borba, foi colocar a fé no plano pessoal e não só como questão doutrinal. "O papa insiste que o cristão tem de chegar a seus irmãos pela experiência da fé, ou seja, de seu encontro com Cristo".

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