Ano de surpresas na política chinesa ainda não terminou

O ano de intrigas na política da China ainda deve resultar em mais algumas surpresas, já que expurgos, complôs e sentenças judiciais marcam a reta final dos preparativos para a transição na cúpula do regime.

SUI-LEE WEE, Reuters

25 de outubro de 2012 | 21h22

A poucas semanas da sucessão, que acontece uma vez por década, a composição integral da próxima liderança chinesa e suas pautas permanecem desconhecidas e continuam sendo negociadas em segredo - num forte contraste com a disputa pelo governo norte-americano atualmente em curso.

Uma das poucas coisas que se sabe com quase certeza é que o vice-presidente Xi Jinping deve assumir o comando do Partido Comunista no congresso que começa no dia 8. Xi então deve se tornar presidente em março, na sessão anual do Parlamento.

Mas dezenas de cargos importantes continuam sendo disputados nos bastidores. Os três homens mais poderosos do país - o ex-presidente Jiang Zemin, o atual presidente, Hu Jinato, e Xi, o sucessor nomeado dele - tentam minimizar disputas entre facções, e fontes dizem que eles já definiram uma lista de candidatos preferidos para o Comitê Permanente do Politburo, principal órgão decisório do partido.

Mas especialistas em China dizem que o plano deles ainda pode dar errado.

"Acho que teremos surpresas desta vez . A negociação é um processo muito complicado", disse Cheng Li, especialista em política chinesa do Instituto Brookings, nos EUA.

"Quem está de fora não tem ideia. Provavelmente só temos 20 por cento de noção do que está acontecendo. Haverá mudanças de última hora, possivelmente até no Comitê Permanente."

A lista de candidatos preparada por Jiang, Hu e Xi já contém pelo menos uma grande surpresa, com a omissão de Wang Yang. Líder do partido na província de Cantão (sul), ele é visto por muitos no Ocidente como um partidário de reformas políticas, e era cotado para integrar o primeiro escalão.

Sua omissão, aliás, pode estar indiretamente vinculada ao fim da carreira política de outro ex-favorito ao Comitê Permanente, Bo Xilai, protagonista do maior escândalo político da China em duas décadas. Bo foi expurgado do partido depois de sua mulher assassinar um empresário britânico, crime pelo qual ela foi condenada à morte em agosto, com direito a suspensão da pena. Bo continua sendo muito admirado na ala esquerdista do PC chinês, que deseja reduzir o ritmo das reformas de mercado.

Sinólogos suspeitam que Jiang, Hu e Xi não quiseram apoiar Wang porque isso seria visto como uma nova provocação à esquerda do partido.

"Algumas pessoas dizem que ele é o Bo Xilai da direita , e que o partido está igualmente preocupado com essa pessoa", disse Wang Zhengxu, pesquisadora da Escola de Estudos Chineses Contemporâneos da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha.

(Reportagem adicional de Benjamin Kang Lim)

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