Ano Novo chinês, enlouquecedora festa de fogos e estrondos

Pode ser chamado ?choque e pavor? à moda chinesa. Mas é a tradicional barragem de fogos de artifícios com que os chineses, especialmente os da maior cidade chinesa, Xangai, comemoraram hoje a entrada do Ano Novo Lunar, emocionando jovens e velhos com horas de estrondosos estampidos e explosões de luz colorida. Rojões cortavam os céus, bombas estouravam nos subúrbios e traques espoucavam nas ruas, com o som amplificado pela quantidade.?É incrivelmente barulhento e dura a noite toda?, disse Liu Yuhua, empregado de uma loja de conveniências. ?Ninguém pode dormir um minuto, nem mesmo com protetores de ouvidos?, acrescentou com um encolher de ombros resignado.Considerado uma obrigação para espantar os maus espíritos e celebrar ocasiões especiais, os fogos são, há séculos, indissociáveis da celebração do Ano Novo Lunar chinês. À medida que os ponteiros do relógio moviam-se para a meia-noite, a queima repetia-se nas cidades chinesas e nas comunidades asiáticas dos Estados Unidos à Europa, passando por Taiwan e o Sudeste Asiático.?Sem queima de fogos, não há atmosfera de ano novo?, dizia o guarda de segurança Fang, carregando uma braçada de foguetes por uma rua estreita de um dos mais antigos bairros da cidade, um aglomerado de casas de tijolos com jardins conhecidas como shikumen.Nem todos gostam, entretanto.Pequim, a capital da China, jogou um balde de água fria na tradição, proibindo a queima de fogos como um transtorno público e risco de incêndios. Mas, a despeito do patrulhamento da polícia atrás de transgressores, a proibição é normalmente ignorada.A maioria do resto da China continua descaradamente deleitando-se com a cacofonia. Os fogos espontâneos de Xangai estão entre os mais impressionantes.Este ano, o estrépito começou cedo, ao entardecer, enquanto os trabalhadores ainda dirigiam-se para casa para a tradicional ceia de véspera de ano novo e maratonas de sessões de mahjong. Estouros fortuitos ecoavam entre os edifícios e construções em obras.Quando caiu a noite, os passeios já estavam cobertos de papéis vermelhos da embalagem dos fogos e nuvens de fumaça de pólvora envolviam casas e lojas. Depois de uma pausa para a ceia, as explosões retornaram, iluminando o céus com flashes de luz e fazendo tremer as janelas de prédios a doze ou mais andares do solo.?É uma coisa que nós todos gostamos de fazer. Tenho até mesmo de comprar fogos para meu filho e ele tem apenas três anos?, disse uma mulher que ser identificou como sra. Shen, olhando os fogos dos vizinhos da calçada onde se erguia a antiga concessão francesa

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