Noel Celis / AFP)
Noel Celis / AFP)

Ano Novo Chinês: Por que o Ano do Boi na China azedou com a pandemia do coronavírus

Por precaução, prefeitura de Pequim convocou moradores a evitar qualquer viagem 'desnecessária' para fora da cidade no feriado, oferecendo incentivos financeiros para quem fica e exigências de exames e formalidades para quem viaja

Jing Xuan Teng, AFP

12 de fevereiro de 2021 | 09h00

Viajar para celebrar em família o Ano do Boi, apesar das restrições anticovid, ou ficar sozinho em Pequim, como pedem as autoridades? O dilema agita os chineses que trabalham na capital durante o ano novo chinês.

O Ano Novo Lunar, que este ano cai em 12 de fevereiro, é o feriado mais importante da China. Normalmente, milhões de trabalhadores aproveitam a oportunidade para retornar às suas províncias de origem.

Com o coronavírus quase erradicado no país, apesar de alguns surtos localizados em dezembro-janeiro, principalmente em Pequim, muitos esperavam comemorar o ano novo normalmente.

Mas, por precaução, a prefeitura da capital convocou os moradores a evitar qualquer viagem "desnecessária" para fora da cidade no feriado.

Para desencorajar os chineses, as autoridades usam incentivos financeiros para quem fica e exigências de exames e formalidades para quem viaja.

"Para viajar, preciso fazer um teste de PCR e obter um certificado. Não é prático", explica à AFP Hou Sibai, um entregador de comida natural de Gansu, no noroeste do país, que trabalha em Pequim. Ele finalmente vai passar ao feriado na capital com sua esposa e filha.

Para incentivar pessoas como Hou Sibai a não viajar, Pequim prometeu 40 milhões de yuans (5,1 milhões de dólares) em cupons de descontos - para serem usados em aplicativos de comércio eletrônico. Filmes online e planos de dados móveis para smartphones também estão sendo oferecidos.

Bancos vazios

E a estratégia tem dado certo: as viagens ferroviárias e aéreas caíram 80% em relação ao ano passado, segundo a prefeitura.

Na estação ferroviária de Pequim, geralmente lotada durante os feriados, muitos bancos estão vazios e não há fila nas máquinas. A queda para zero nos últimos dias no número de novos pacientes com covid-19 na China, no entanto, levou alguns a pegar o trem.

Como Li Xinjun, uma faxineira de 50 anos que vai a Hebei, no norte, para ver seu filho e sua família.

"Meus clientes trabalham no hospital. Então, no ano passado, por causa da epidemia, eles não puderam tirar férias. Então, eu também não voltei para casa", contou. "Faz muito tempo que não vejo meu filho".

Outra viajante, Liu Wenjing, disse que viajará a Henan sob pressão de sua família.  A jovem de 24 anos acredita que seus pais querem apresentá-la a namorados em potencial durante as férias - um ritual profundamente enraizado na China.

"Não tenho pressa (para me casar), mas eles têm!", enfatiza.

Para sair de Pequim, Liu Wenjing teve que apresentar um teste PCR negativo. No retorno à capital, terá que realizar outro, correndo o risco de uma quarentena obrigatória em casa.

"Boa refeição"

As restrições variam em todo o país. Algumas áreas rurais, por exemplo, impõem quarentenas a todos os visitantes.

Algumas das restrições mais fortes estão em Pequim. Os viajantes que entram na capital devem apresentar teste PCR negativo antes do embarque.

Devem então fazer mais dois - 7 e 14 dias após a chegada -, enquanto passam por duas semanas de "vigilância médica" - basicamente relatando sua temperatura às autoridades.

Essas restrições, juntamente com a apreensão de talvez ter que realizar uma quarentena obrigatória em seu retorno, que levou Hou Sibai, o entregador de refeições, a cancelar sua viagem para sua cidade natal. "Meus parentes, meus amigos, meus pais e meus irmãos e irmãs estão todos lá", suspira.

Ele, sua esposa e filha moram em um quarto em um apartamento compartilhado no norte de Pequim, onde irão celebrar modestamente a entrada no Ano do Boi. "O ambiente não é tão animado como na minha aldeia", lamenta.

"Mas com certeza vamos cozinhar uma boa refeição para nós três!"

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