Ano passado foi um dos mais letais para jornalistas

Duas organizações que defendemos direitos dos jornalistas anunciaram que o ano passado foi umdos mais mortíferos já registrados para a categoria. Pelo menos86 jornalistas foram mortos em função de seu trabalho, e oIraque foi o país mais perigoso para repórteres. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), sediada emParis, disse que 2007 foi o ano mais letal para jornalistasdesde 1994, quando as mortes aumentaram em decorrência dogenocídio de Ruanda. A organização avaliou em 86 o número de jornalistas mortosem função de seu trabalho, sendo que 47 desses morreram noIraque. O total é um a mais que em 2006. Já a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), sediadaem Bruxelas, que também contabiliza profissionais de mídiamortos em acidentes, disse que as 171 mortes do ano passado seaproximam do recorde de 177, fixado em 2006. Esse número inclui 134 assassinatos e mortes violentas e 37mortes em acidentes durante o trabalho. "A violência contra jornalistas permanece em níveis muitosaltos pelo terceiro ano consecutivo", disse em comunicado opresidente da IFJ, Jim Boumelha. "A escala dos ataques a jornalistas revela uma crisecontínua marcada por tragédias humanas ilimitadas e ataquesimplacáveis à liberdade de imprensa." A Repórteres Sem Fronteiras também destacou o perigo doIraque. "Nenhum país teve mais jornalistas mortos que o Iraque.Pelo menos 207 profissionais da mídia morreram no Iraque desdea invasão de março de 2003 --mais que os jornalistas mortos naGuerra do Vietnã, nas guerras na ex-Iugoslávia, nos massacresda Argélia ou no genocídio de Ruanda", disse o grupo em seurelatório sobre 2007. Ainda segundo a RSF, outros 20 profissionais que davamauxílio a jornalistas, incluindo motoristas, tradutores eoutros, foram mortos em 2007. Em 2006, tinham sido 32. A RSF disse que as autoridades iraquianas e americanas sãoculpadas de violência grave contra jornalistas e precisam tomarmedidas firmes para pôr fim aos ataques a jornalistas. Osjornalistas iraquianos não são simplesmente vítimas de balasperdidas _são alvejados por grupos armados. O segundo país mais mortífero para profissionais deimprensa no ano passado foi a Somália, onde oito repórteresforam mortos em ataques ligados aos choques entre forçasrebeldes e do governo, estas últimas apoiadas pelos militaresetíopes aliados. A metade deles foi morta por matadoresprofissionais. "A única boa notícia do ano passado é que, pela primeiravez em 15 anos, nenhum jornalista foi morto na Colômbia devidoa seu trabalho", disse a RSF. (Tradução Redação Brasília, 5561 3426-7024)

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