ANP desiste de receber papa perto de muro israelense

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) descartou os planos de receber o papa Bento XVI durante sua visita à Terra Santa, na próxima semana, num palco montado perto do muro que separa Israel da Cisjordânia, informou hoje o legislador palestino Essa Qaraqie. Funcionários do campo de refugiados de Aida esperavam que o local, próximo a um posto de guarda e de uma torre de concreto do muro, pudesse destacar o sofrimento palestino sob a ocupação israelense. Qaraqie disse que o comitê organizador da visita transferiu o local onde o papa será recebido para uma escola da Organização das Nações Unidas (ONU) dentro do campo "após forte pressão israelense".

AE-AP, Agencia Estado

07 de maio de 2009 | 17h58

De acordo com Qaraqie, o comboio do papa ainda vai passar perto do muro, que pode ser visto de dentro do pátio da escola da ONU. Israel alega que a construção é uma medida de segurança necessária para manter terroristas afastados. Já os palestinos dizem que é uma forma de tomar suas terras, já que o muro corta grandes trechos de território que os palestinos querem como seu Estado independente. Funcionários israelenses acusaram os palestinos de tentar politizar a visita de cinco dias do papa à Terra Santa. O Exército ordenou que os palestinos derrubassem o palco, que foi construído sem permissão.

Apenas 13% das terras da região de Belém continuam disponíveis para o uso dos palestinos, limitando drasticamente o desenvolvimento da região, segundo um relatório da ONU divulgado hoje. Os assentamentos israelenses, o muro de separação e as zonas controladas por Israel restringem a região da capital bíblica, isolando a região das comunidades dos recursos ao redor, diz o relatório. "As medidas israelenses reduziram radicalmente o espaço disponível para os habitantes de Belém, comprometendo o futuro econômico e o desenvolvimento social", afirma o documento.

O porta-voz Ministério de Relações Exteriores, Yigal Palmor, afirmou que não havia visto o relatório e não tinha informações sobre o acesso dos palestinos às terras ao redor de Belém. Ele também disse que outros documentos do escritório da ONU para assuntos humanitários continham "informações distorcidas" e que tais relatórios estão fora da jurisdição do escritório. Os 175 mil palestinos da região têm autonomia em apenas 13% dos 660 quilômetros quadrados da região. Dois terços das terras remanescentes estão sob controle israelense. Cerca de 86 mil israelenses vivem em assentamentos e em vilas afastadas nessas áreas.

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