ANP nega que salários de funcionários estejam atrasados

O porta-voz do governo islâmico da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ghazi Hamed, afirmou nesta terça-feira, em declarações à rádio pública israelense, que não é verdade que os funcionários palestinos estão há seis meses sem receber salário."Pagamos mais de 66% dos salários mas os manifestantes dizem que estão há seis meses sem receber, o que não é certo", afirmou Hamed, ao comentar os distúrbios que desde domingo levaram a confrontos entre o Hamas e o Fatah, com 12 mortes e cerca de 150 feridos em Gaza e na Cisjordânia.Numa greve, disse o porta-voz do governo do primeiro-ministro Ismail Haniye, "o funcionário não vai trabalhar, mas também não causa desordens nem problemas, o que é inaceitável". Os distúrbios, em alguns casos violentos, se intensificaram no domingo, quando o ministro do Interior, Said Siyam, mandou 3.500 homens de uma milícia do Hamas reprimir o protesto. Foram sete mortos e 100 feridos no mesmo dia."Os manifestantes não podem bloquear ruas, fechar instituições do Hamas, atacar o Conselho Legislativo e ministérios públicos, e ameaçar os ministros", criticou Hamed. O governo de Haniye, lembrou o porta-voz, foi eleito democraticamente, em janeiro, e "também havia problemas no governo de Yasser Arafat e do Fatah".Segundo Hamed, a solução é formar um governo de unidade entre Hamas,e Fatah. Mas até o momento todas as tentativas fracassaram. O ex-ministro palestino, Sufian abu Saida, membro do Fatah, também em declarações à rádio israelense, atribuiu o fracasso à falta de pragmatismo dos representantes do Hamas."O fracasso do Hamas em satisfazer às exigências da comunidade internacional conduziu o povo palestino a esta situação", criticou Sufian, pedindo "uma mudança de atitude de parte do Hamas". Segundo o ex-ministro do Fatah, por enquanto, não é viável convocar eleições na Cisjordânia e Gaza.O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro Haniye anunciaram há quase três semanas um princípio de acordo para formar uma coalizão.Alguns analistas sustentam que o povo palestino confia atualmente mais no presidente Abbas, que conta com respaldo internacional e de Israel, e que o Hamas começou a perder popularidade devido à crise.

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