ANP oferece trégua a Israel em troca de saída da Cisjordânia

Em entrevista exclusiva publicada nesta terça-feira pelo jornal israelense Ha´aretz primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniyeh, do Movimento Islâmico Hamas, ofereceu uma "trégua por longos anos" a Israel. A condição é que Israel se retire da Cisjordânia, ocupada na Guerra dos Seis Dias, recuando para a linha do armistício ou "linha verde", fronteira fixada antes do conflito. "Se Israel se retirar para as fronteiras de 1967, prevalecerá a paz e nós vamos iniciar uma trégua (´hudna´) de muitos anos", afirmou o primeiro-ministro palestino ao jornal de Tel-Aviv. O ministro de Transportes palestino, Ziyad Zaza, presente durante a entrevista, comentou que "o cessar-fogo será renovado de forma automática" periodicamente. O Hamas se nega a reconhecer a legitimidade do Estado israelense. Na sua interpretação, a nação foi criada em 1948 em parte do território palestino. Ou seja, em "terras sagradas do Islã" então sob controle da Inglaterra por ordem da ONU. Cúpula de 2002 O dirigente palestino não quis falar da iniciativa adotada pelo mundo árabe na Cúpula de 2002, em Beirute. Na ocasião, os países participantes se comprometeram a negociar a paz e reconhecer Israelse seu exército voltasse às linhas de 1967. "Esse é um assunto entre nós e os árabes", disse Haniyeh, cujo governo rejeitou a iniciativa. Haniyeh também não comentou a carta constitucional do Hamas, que rejeita a existência de Israel. "Vamos deixar o Hamas de lado. Eu falo como líder do governo palestino, de todos os palestinos, e não de um movimento". O presidente americano, George W.Bush, se reúne nesta terça-feira com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em Washington. Israel,Estados Unidos e a União Européia (UE) exigem que Haniyeh reconheça o Estado judeu para retomar o estagnado processo de paz, disperse amilícia do Hamas e respeite os acordos assinados pela ANP, quando era comandada por Yasser Arafat. Transferência de fundos O dirigente palestino perguntou durante a entrevista por que o governo do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se nega a negociar os assuntos de interesse diário para os dois povos. Ele exigiu a transferência dos fundos arrecadados por Israel a título de impostos graças a um acordo de 1994. O governo israelense, que costumava transferir cerca de US$ 50 milhões mensais à ANP, suspendeu as remessas em março, antes de Haniyeh assumir o governo. EUA, União Européia e outros doadores da ANP também suspenderam suas transferências até o governo do Hamas cumprir as suas exigências e recnohecer Israel. O Gabinete israelense aprovou no domingo, antes da viagem de Olmert aos EUA, a remessa de US$ 11 milhões à ANP em equipamentos médicos e remédios.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.