ANP recorre ao Conselho de Segurança

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) recorreu ao Conselho de Segurança da ONU para pressionar Israel pela suspensão imediata de suas ofensivas militares na Cisjordânia e Gaza, nas quais morreram mais de uma dezena de palestinos desde domingo.O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, solicitou hoje a intervenção imediata do Conselho de Segurança para (CS) frear as incursões militares israelenses dos últimos dias.Ao contrário de seu antecessor, Yasser Arafat, que apelava freqüentemente para o Conselho de Segurança devido às agressões israelenses, o atual presidente palestino não costuma recorrer com freqüência ao órgão internacional.As operações militares israelenses dos últimos dias, que ocorrem durante a formação do Governo palestino que será liderado pelo movimento islâmico extremista Hamas, forçaram Abbas a tomar esta decisão.Segundo o assessor presidencial Nabil Abu Rudaina, Israel está provocando uma escalada de violência de forma deliberada desde o início do mês. Neste sentido, a ANP já apresentou uma queixa urgente aos membros do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia), grupo que negocia a paz no Oriente Médio.Nas últimas 24 horas morreram nove palestinos, seis na Cisjordânia e três na Faixa de Gaza, entre eles um miliciano que carregava uma bomba. Os demais morreram em enfrentamentos com soldados israelenses, que tentaram capturá-los ou impedi-los de entrar em Israel.Em comunicado divulgado pela Agência de notícias palestina Wafa, Abbas condenou hoje a operação que Israel realiza desde domingo no campo de refugiados de Balata, próximo à cidade de Nablus, que deixou três palestinos gravemente feridos ao longo da semana e matou seis na quinta-feira.A operação de Nablus tinha como objetivo a captura de Mohammed Shetawi, militante da Brigada dos Mártires de al-Aqsa, ligada ao movimento nacionalista Fatah, que morreu em um enfrentamento com soldados de uma unidade de elite do Exército israelense.Em entrevista coletiva realizada na Cidade de Gaza, membros das "Brigadas Al Quds", assim como das "Brigadas de al-Aqsa", das "Brigadas de Saladino" e de "Abu Reish", juraram vingar essas mortes de "forma dolorosa e contundente".Por sua parte, o novo primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, acredita que os ataques israelenses fazem parte de uma ofensiva com fins políticos. "Os palestinos estão pagando o preço das eleições em Israel" (que serão realizadas em 28 de março), afirmou Haniye.No entanto, fontes militares israelenses sustentam que a ofensiva é produto do resultado das eleições palestinas. Segundo eles, depois da derrota da Fatah, muitos milicianos das "Brigadas de Al-Aqsa" retomaram a atividade terrorista, por isso Israel interveio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.