EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ
EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ

Antecipando-se a reunião, grupo do ELN se entrega

Ao menos 24 guerrilheiros foram recebidos pelo chefe das Forças Militares, general Juan Pablo Rodrigues

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 15h14

O comando dos dois esquadrões de combatentes do Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, que se renderam há uma semana às tropas regulares do governo, em Pizarro, no litoral do departamento de Chocó, fixou que os 24 guerrilheiros - 10 homens, 14 mulheres - se apresentassem à tropa federal vestindo fardas e levando suas armas, - descarregadas. Eles foram recebidos pelo chefe das Forças Militares, general Juan Pablo Rodrigues. O grupo executou uma longa negociação isolada, provavelmente intermediada pela Igreja, diretamente com o governo do presidente Juan Manuel Santos. As discussões de paz do ELN com a administração federal colombiana começam daqui a dois dias em Quito, no Equador. As delegações de 30 pessoas serão chefiadas pelo ex-ministro da Agricultura, Juan Restrepo, e por Pablo Beltrán, equivalente ao chefe do Estado Maior rebelde.

Os dois times são conhecidos como 'Noche'. Entregaram fuzis, metralhadoras, pistolas, carabinas, granadas, explosivos e munições -- mas não os dispositivos de comunicação, computadores, mapas táticos e documentos de planejamento. O valor político da operação é grande. Os insurgentes da unidade fazem parte de uma espécie de 'força especial', bem treinada desde os anos 70 por consultores estrangeiros, cubanos e militares da extinta União Soviética. Haveria mais quatro times do mesmo tamanho entre os 1.300 remanescentes do contingente de 15 mil 'soldados do povo' contabilizados no ELN há 20 anos. O preparo dessa ala de elite é severo. Dura seis meses e implica qualificação em tiro de precisão, sabotagem, uso de explosivos, sobrevivência na selva, disfarce, coleta de dados de Inteligência e infiltração.

Os homens e mulheres das equipes 'Noche' cumprem missões estratégicas, realizando atentados contra a infraestrutura, sequestrando empresários e políticos para libertá-los mediante ricos resgates. Nos últimos cinco anos o foco foi fechado em assaltos a agências bancárias e aos centros financeiros dos cartéis do narcotráfico - o ELN nunca apoiou os traficantes de droga, diferentemente das FARC, a principal facção da luta armada revolucionária colombiana. Em 1998, o Exército de Libertação explodiu um oleoduto na região de Antioquia. Morreram 84 pessoas.

Apoiado pela linha radical da Igreja, ligada à Teologia da Libertação, o movimento, criado em 1965 sob inspiração da revolta de Cuba, teve lideranças saidas do clero, como os padres Camilo Torres, abatido em combate, e Manuel Perez, morto por uma hepatite contraída na selva. O atual chefe do Comando Central é Nicolas Rodriguez Bautista, o Gambino. O ELN mantém presença efetiva de 12 territórios: Arauca, Bajo Cauca, Boyacá,Casanare,Cauca, Cesar,Chocó, Guajira, Nariño, Santander Norte, Santander e Bolivar Sur.

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