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REUTERS/Enrique De La Osa
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Antes da ONU, chanceler fez carreira na IBM

Escolha de Susana Malcorra para Ministério das Relações Exteriores foi recebida com surpresa e admiração

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h00

O ministério com que sonhava o futuro titular da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, foi para a chefe de gabinete da ONU Susana Malcorra, anunciada na terça-feira pelo presidente eleito Mauricio Macri. Antes de entrar na ONU, em 2004, ela trabalhou durante mais de duas décadas no setor privado, onde ocupou cargos importantes em empresas como IBM. Na Telecom Argentina, ela chegou a ser diretora executiva.

Para a função haviam sido cogitados diplomatas de carreira, como Rogelio Pfirter e o secretário de relações internacionais do PRO, Diego Guelar. “Ela tem todas as qualidade para o cargo. Foi um grande acerto do presidente eleito. Quem tem algum preconceito porque ela não é uma diplomata de carreira não tem qualquer razão. Ela entrou na ONU por um concurso, por mérito próprio, não por um acordo entre partidos, e chegou a chefe de gabinete. Isso mostra toda sua capacidade”, disse Guelar ao Estado.

Sua de designação foi uma das mais surpreendentes, mas também mais elogiadas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, felicitou Macri pela escolha. 

A nova chanceler terá a missão de participar da primeira cúpula do Mercosul do novo governo, que ocorrerá no dia 21 no Paraguai. Na ocasião, Macri prometeu usar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela pelos “abusos cometidos, como perseguições a opositores e ações contra a liberdade de expressão”. 

Na terça-feira, ele disse esperar que o Brasil mude de posição sobre uma possível punição a Caracas. O Brasil não considera que haja condições para a aplicação da cláusula, assim como o Uruguai. 

A tendência de apoio à proposta seria do Paraguai, presidido por Horacio Cartes. Ele chegou ao poder em Assunção depois que seu antecessor, Fernando Lugo, foi deposto, em 2012, pelo Congresso. Os outros sócios do Mercosul então decidiram usar a cláusula contra o Paraguai. No período em que o país esteve afastado, a Venezuela tornou-se membro do bloco. 

Malcorra terá também a tarefa de concretizar uma abertura internacional que inclui a reconstrução da relação com o Brasil. Uma de suas vantagens é conhecer de perto os líderes mundiais. “A Argentina precisa estar ligada aos demais países do mundo para desenvolver oportunidades de crescimento e prosperidade para todos os argentinos”, escreveu Macri em sua página no Facebook. “Susana é uma mulher inteligente, vigorosa e sábia.”

Na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, a escolha foi recebida com uma mistura de surpresa e admiração, segundo funcionários ouvidos pelo Estado. Ela não estava na lista dos mais cotados pela diplomacia brasileira.

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