Antes de ação em Benghazi, Al-Qaeda pediu vingança

Análise: The Washington Post

O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h04

Analistas do Oriente Médio sugerem que - antes do protesto contra o filme Inocência dos Muçulmanos - o ataque ocorrido em Benghazi pode ter sido uma vingança pela morte de um líder da Al-Qaeda atingido por um ataque de um avião não tripulado americano no Paquistão, em junho.

Mathieu Guidère, professor de estudos islâmicos da Universidade de Toulouse, na França, e especialista na ala radical islâmica, afirma que informações em sites mantidos por ativistas indicam que extremistas líbios usaram a mensagem da Al-Qaeda para conseguir apoio para o ataque ao consulado. Na opinião do especialista, o ato teria sido motivado por um apelo feito recentemente por Ayman al-Zawahiri, líder da Al-Qaeda, para que se vingasse a morte de Hassan Mohamed Qaed, mais conhecido como Abu Yahya al-Libi, o clérigo líbio que foi um dos principais conselheiros do terrorista Osama bin Laden.

A Fundação Quillam, organização britânica que monitora grupos extremistas, sustenta que suas fontes na Líbia e em outros países da região definiram o ataque de Benghazi como um assalto bem planejado, deflagrado em duas fases e organizado por um grupo de cerca de 20 militantes.

O primeiro objetivo era fazer os americanos saírem do consulado. O segundo, efetivar o ataque coordenado com granadas disparadas por lança-foguetes, depois que as pessoas fossem levadas para outro local. Ao que tudo indica, a manifestação no Cairo foi realizada de maneira aparentemente espontânea por uma multidão desarmada, enfurecida pelo filme que consideraram ofensivo. "Alguns atos foram cometidos por grupos jihadistas incontroláveis", afirma Noman Benotam, presidente da Quillam.

Na segunda-feira, Zawahiri, o egípcio que assumiu a liderança da Al-Qaeda depois da morte de Bin Laden na incursão americana ao seu esconderijo no Paquistão, em maio de 2011, divulgou um vídeo de 42 minutos, no qual confirma a morte de Libi e apela aos muçulmanos, particularmente aos líbios, que vingassem o assassinato. "Com o martírio do xeque Mohamed Qaed, Deus tenha misericórdia dele, as pessoas procurarão ainda mais ler os seus escritos e reagir ao seu apelo, se Deus quiser", disse Zawahiri. "Que o seu sangue os estimule e os incite a lutar e a matar os cruzados", concluiu.

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