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Tasnim News Agency
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Antes de ataque dos EUA, Suleimani já enfrentava guerra de memes com Donald Trump

Para uma personalidade vinda de um país em que redes sociais são altamente restritas, o general era uma figura ativa - e fora dos padrões iranianos

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2020 | 04h24

O general Qassim Suleimani, morto em um ataque aéreo no Iraque na última quinta-feira, 2, não era apenas um terrorista infame e altamente perigoso para os Estados Unidos, como definem os americanos. Ele também era um dos principais antagonistas das redes sociais de Donald Trump.

Especialistas internacionais conhecem Suleimani como líder da Força Quds, grupo pertencente à Guarda Revolucionária do Irã, e como o encarregado pelos assuntos externos do país no Oriente Médio. Mas muitos americanos ouviram falar do general pela primeira vez apenas em 2018, quando ele começou a discutir com Trump, por meio de memes, no Instagram

Tudo começou quando Trump, há dois anos atrás, se envolveu em uma árdua campanha de pressão contra o Irã, dentre as quais estava a retirada do acordo nuclear firmado em 2015. Em resposta, em julho de 2018, o presidente Hassan Rouhani, alertou que "os Estados Unidos deveriam saber que a paz com o Irã, é a mãe de toda a paz, e que a guerra com o Irã, é a mãe de todas as guerras".

A ameaça foi sutil, levando em consideração que o aiatolá Ruhollah Khomeini, responsável por instalar o regime teocrático no país, apelidou os Estados Unidos de 'o grande satanás'. No entanto, Trump ficou consideravelmente ofendido com o alerta.

"Para presidente iraniano Rouhani: NUNCA, NUNCA AMEACE OS ESTADOS UNIDOS DE NOVO OU VOCÊ VAI SOFRER CONSEQUÊNCIAS QUE POUCOS SOFRERAM ATRAVÉS DA HISTÓRIA. NÓS NÃO SOMOS MAIS O PAÍS QUE IRÁ FICAR PELAS SUAS PALAVRAS DEMENTES DE MORTE E VIOLÊNCIA. FIQUEM CAUTELOSOS!". Ele escreveu em seu Twitter, com todas as palavras em maiúsculo.


No entanto, apenas alguns dias depois, Suleimani interveio para defender Rouhani. "Não é da dignidade de nosso presidente responder a você", falou à Trump por meio da Tasnim, agência de notícias iraniana. "Se você começar a guerra, terminaremos a guerra. E você sabe que essa guerra destruirá tudo o que você possui".

Porém, para um comandante de alto nível, em um regime que proíbe seus cidadãos de usarem a maior parte das principais plataformas de mídia social, Suleimani utilizava a internet de maneira incomum.

Após a resposta, ainda em julho, Suleimani compartilhou com seus quase 70 mil seguidores, um meme em que aparece diante de uma Casa Branca em chamas. Fardado, ele segura um walkie-talkie nas mãos. A imagem foi arquivada pelo instituto Middle East Media Research. O post veio exatamente após Trump sair do acordo nuclear com o Irã e ainda ter ameaçado impor novas sanções econômicas ao país.


E o presidente americano não ficou para trás. Em seu próprio cartaz hollywoodiano, Trump twittou um pôster de si mesmo posando heroicamente, contra um cenário ao estilo de Game of Thrones. No lugar do slogan da popular série da HBO, que dizia 'Winter is Coming' (O Inverno Está Vindo, em português), ele escreveu "Sanções estão vindo, Novembro 5".


No Twitter, Trump não abordou Suleimani especificamente, e também não está claro se ele estava zombando intencionalmente do meme do general. No entanto, ele sentiu a provocação e devolveu a resposta dias depois. Em outro meme inspirado em Game Of Thrones, é possível ver o líder iraniano, com a frase "Eu vou resistir a você". 


No entanto, a 'diversão' de Suleimani chegou rapidamente ao fim. Em abril, o Instagram suspendeu a sua conta, apenas algum tempo após o presidente americano tê-lo ameaçado com as sanções. No entanto, à época, ficou sem esclarecimentos se a exclusão do perfil do general foi feita por meio de um pedido direto de Trump ou se foi uma medida de segurança tomada pela própria rede social./ WASHINGTON POST

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