Antes de cúpula da ONU, ativistas falam em 'catástrofe' da fome

O acentuado aumento do preço dos alimentospoderia provocar uma catástrofe mundial, uma catástrofe em quepobres do mundo todo ficariam impossibilitados de dar comidapara suas famílias, afirmaram ativistas dos direitos humanos nasegunda-feira. O alerta surgiu no momento em que líderes do mundo tododesembarcavam em Roma para participar de uma cúpula daOrganização das Nações Unidas (ONU) em que de debaterão formasde combate à crise dos alimentos, responsável por empurrar paraa fome 100 milhões de pessoas, provocar manifestações de rua eagravar a violência em zonas de conflito. "A atual crise dos alimentos equivale a uma imensa violaçãodos direitos humanos e poderia gerar uma catástrofe global, jáque muitos dos países mais pobres do mundo, em especial os quese vêem obrigados a importar comida, teriam dificuldade paraalimentar sua população", disse o grupo de combate à pobrezaActionAid, com sede em Johanesburgo. "Provoca indignação o fato de as pessoas pobres estarempagando o preço por décadas de políticas erradas, tais como afalta de investimento na agricultura e o desmantelamento dasestruturas de apoio aos agricultores pobres", disse MagdalenaKropiwnicka, analista do ActionAid. No total, 44 dirigentes de diferentes países devemparticipar do encontro de três dias, que lança uma rodada denegociações internacionais a respeito da pobreza, da fome e dodesenvolvimento, rodada essa a estender-se pelos próximos mesese que deve abranger, entre outros, a Cúpula do Grupo dos Oito(G8), a Assembléia Geral da ONU e as discussões potencialmenteconclusivas a respeito das novas regras do comércio mundial. "Essa é uma questão multifacetada que demanda uma respostamultifacetada e análises multifacetadas", afirmou oprimeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, acrescentando teresperanças de que do encontro saia uma "mensagem contundente arespeito de medidas de médio e longo prazo tais como aumentar aprodução de alimentos e a produtividade agrícola". As discussões sobre a fome, no entanto, correm o risco deserem ofuscadas pela presença, na cúpula, dos presidentes doZimbábue, Robert Mugabe, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quemantêm relações tensas com as potências ocidentais. A União Européia (UE) proibiu Mugabe de ingressar em seuterritório, mas isso não se aplica às reuniões da ONU. A cúpula, convocada no ano passado pela Organização dasNações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) a fim dediscutir as mudanças climáticas e os biocombustíveis, trataráagora da crise dos alimentos. Safras ruins, diminuição dos estoques e uma demanda cadavez maior, em especial da parte da China e da Índia, provocarama disparada do preço dos alimentos nos últimos dois anos,gerando protestos, greves e ondas de violência na África, naAmérica Latina e na Ásia. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha avisou que umamaior carência de alimentos decorrente da alta dos preçosagravará os conflitos nas zonas de guerra. Diante da previsão de que esses preços continuem em umpatamar elevado na próxima década, ainda que um pouco abaixodos atuais recordes, a cúpula deve debater políticas de longoprazo, tais como dar apoio aos pequenos agricultores e reformaro comércio mundial. Além disso, deve-se discutir a necessidadede doar alimentos em caráter emergencial. Um dos líderes a participar do evento, o presidente LuizInácio Lula da Silva, prometeu defender os biocombustíveis dosataques desferidos por grupos de combate à fome. "Estou convencido de que estamos no início de um debate.Cabe ao Brasil, centro de excelência na produção de etanol,provar que é plenamente possível compatibilizar a produção deetanol com a produção de alimentos," disse.

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