Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Antes de eleição, Maduro aumenta em 95,4% salário mínimo na Venezuela

Remuneração é suficiente para comprar 2 quilos de frango, um reflexo de como a inflação agravou a miséria da população

O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 19h27

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou ontem em 95,4%, o salário mínimo na Venezuela, a menos de um mês da eleição presidencial e em meio a uma hiperinflação que consome a renda dos venezuelanos. É o terceiro reajuste do ano. Com ele, a renda mínima dos venezuelanos chegou a 2,5 milhões de bolívares, o equivalente a US$ 3,2 no mercado negro (cerca de R$ 11). 

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Esse valor inclui o salário mínimo e um cupom de alimentação para a compra de comida tabelada em mercados estatais. O cupom, que equivale a 60% da renda mínima do trabalhador venezuelano, não é descontado do imposto de renda. 

Apesar da alta, os 2,5 milhões de bolívares mensais servem para comprar o equivalente a dois quilos de frango – um reflexo do quanto a hiperinflação tem aumentado a pobreza no país, que sofre também com a grave escassez de alimentos e de remédios. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a inflação neste ano na Venezuela deve chegar a 13.800%.

“Em tempos de revolução, temos de cuidar da classe trabalhadora”, disse Maduro, ao anunciar o aumento. 

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O presidente tentará a reeleição no dia 20. Durante o anúncio, o chavista vinculou o comparecimento na votação, que na Venezuela é facultativa, ao cadastro no “carnê da pátria”, sistema de cadastramento para a compra de alimentos subsidiados pelo governo. Opositores dizem que essa vinculação é uma forma de chantagem eleitoral, principalmente perante as classes mais pobres. 

Sanções 

Ainda nesta segunda-feira, o governo americano informou que está disposto a suspender as sanções econômicas contra a Venezuela se houver mudanças políticas e econômicas favoráveis à população. “Com prazer reverteremos essas sanções financeiras quando o governo ou os funcionários mudarem de rumo”, afirmou Michael Fitzpatrick, subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental. 

“Quando houver vontade de restabelecer a prestação de contas sobre o controle dos fluxos financeiros, quando puderem e desejarem reinvestir no país, quando tiverem vontade de dar simples passos para respeitar a Constituição e a Assembleia Nacional, abrir canais humanitários, poderíamos reverter as sanções.”

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Fitzpatrick ainda considerou “falso” o argumento de que as sanções econômicas são responsáveis pela crise na Venezuela. “O colapso da economia venezuelana é muito anterior ao início das medidas econômicas dos Estados Unidos contra o regime.”/ AFP e REUTERS

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