Antes de eleição, Ruanda prende editora por negação de genocídio

Ruanda prendeu uma editora de jornal sob a acusação de negação de genocídio e incitação ao ódio étnico, informou a polícia neste sábado, a menos de um mês da eleição presidencial de agosto.

REUTERS

10 de julho de 2010 | 12h02

Agnes Uwimana, que já passou um ano na cadeia por incitar divisões étnicas e por difamação, foi detida na noite de quinta-feira após a publicação de um artigo comparando o presidente Paul Kagame a Hitler, disse o porta-voz da polícia Eric Kayiranga.

"Há quatro acusações. Elas são: incitação pública ao ódio, negação de genocídio, discriminação e sectarismo. Ela foi alertada várias vezes e se recusou a mudar", disse.

Dois outros jornais foram suspensos em abril sob acusações semelhantes. Grupos de direitos humanos e grandes doadores expressaram nas últimas semanas preocupação com o ambiente cada vez mais repressivo antes das eleições.

Em junho, um jornalista de Ruanda crítico ao governo foi morto do lado de fora de sua casa após escrever um texto associando os serviços de segurança do país à suposta tentativa de assassinato de um general dissidente em auto-exílio na África do Sul.

O governo de Kagame nega veementemente as acusações.

"Mais uma vez, as autoridades de Ruanda invocam a segurança nacional e o legado do genocídio de 1994 para silenciar uma das poucas vozes dissidentes na imprensa independente do país, cada vez menor", disse Mohamed Keita, do Comitê de Proteção a Jornalistas, em Nova York.

(Reportagem de Hereward Holland)

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