REUTERS/Agustin Marcarian
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Antes de julgamento, Cristina Kirchner usa redes sociais para se defender de acusações

Ex-presidente e senadora argentina, que disputará eleição de outubro como candidata a vice, disse que ação se trata de 'mais um caso de perseguição' para colocá-la no banco dos réus em meio à campanha eleitoral

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 11h06

BUENOS AIRES - A ex-presidente da Argentina, senadora e candidata a vice-presidente, Cristina Kirchner enfrenta nesta terça-feira, 21, a primeira audiência de um julgamento por corrupção que será realizada paralelamente à campanha para as eleições de outubro.

Advogada de 66 anos que governou o país em dois períodos (2007-2011 e 2011-2015), Cristina enfrenta 12 processos por suposta corrupção e 5 pedidos de prisão preventiva, dos quais ela está isenta devido a sua imunidade parlamentar. 

Cristina, que no fim de semana surpreendeu com o anúncio de que vai optar pela vice-presidência em uma chapa liderada por seu ex-chefe de gabinete Alberto Fernández, afirmou em sua conta no Twitter que "jamais deveria ter sido indiciada" neste processo. 

"(Trata-se de) um novo ato de perseguição com objetivo de colocar uma ex-presidente opositora ao governo no banco dos réus em plena campanha presidencial", escreveu. "Jamais fiz qualquer intervenção nos procedimentos administrativos realizados em qualquer uma das obras. Entre a presidência e as obras denunciadas existem 12 instâncias administrativas de caráter nacional e provincial", completou em outra mensagem.

O processo que começa nesta terça-feira diz respeito ao caso conhecido como Vialidad e é o primeiro que vai a julgamento, devendo se estender por aproximadamente um ano, com audiências semanais. A ex-presidente é obrigada a se apresentar nesta primeira audiência, mas depois poderá ser representada por seus advogados.

O caso diz respeito ao suposto favorecimento ao empresário Lázaro Báez, ligado à família Kirchner, na concessão de licitações de obras públicas na província de Santa Cruz, de onde era oriundo marido de Cristina, o já falecido ex-presidente Néstor Kirchner, que foram pagas, mas não terminadas, além de terem sido superfaturadas.

Segundo a promotoria, entre 2004 e 2015, a empresa recebeu 52 contratos no valor de US$ 1,15 bilhão em Santa Cruz, na Patagônia, reduto eleitoral da família de Cristina. 

Além do próprio Báez, o ex-ministro do Planejamento, Julio de Vido, e o ex-secretário de Obras Públicas, José López, ambos detidos, também são acusados neste caso.

Outros julgamentos

Entre os processos, a acusação mais séria que pesa sobre Cristina é a mencionada no caso conhecido como "Os cadernos de corrupção", ainda em fase de investigação, que trata de supostos subornos a empresários no valor de mais de US$ 160 milhões em pastas cheias de dinheiro.

Por essa razão, suas três residências foram revistadas no ano passado: uma no departamento em Buenos Aires e duas casas na região da Patagônia. 

Cristina também aguarda a data de mais um julgamento em que é acusada de lavagem de dinheiro junto a seus filhos Máximo, deputado, e Florencia, cineasta. / AFP

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