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Antes de primárias, Macri pede voto de confiança e Cristina defende mudança de rumos na economia

Argentinos irão às urnas no domingo para escolher quem serão os candidatos que disputarão as eleições legislativas de outubro

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 11h53

BUENOS AIRES - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, pediu na quinta-feira 10 que os eleitores do país deem um voto de confiança pelas mudanças representadas por sua chegada ao poder. Já sua antecessora, Cristina Kirchner, defendeu uma mudança de rumos na economia nos últimos atos de campanha antes das primárias para as eleições legislativas de domingo.

"Temos todos que colaborar. Somos uma grande equipe que colocou esse país em movimento. Isso é só o começo. Tiramos o país do atoleiro e essa roda começou a girar", disse Macri em um ato eleitoral de sua coalizão política, Mudemos, na Província de Córdoba, uma das mais povoadas e ricas da Argentina.

Depois de uma campanha polarizada entre o governo de Macri e o kirchnerismo que por 12 anos liderou o país, os argentinos vão às urnas no domingo para escolher quem serão os candidatos que participarão das eleições legislativas de outubro.

Com um papel de protagonismo na campanha em apoio aos candidatos governistas, Macri repetiu vários dos tópicos dos discursos realizados nas últimas semanas, ressaltando a mudança que o país viveu depois de sua chegada ao poder, em dezembro de 2015.

"Nunca mais escutemos àqueles que agora nos dizem, após tantos anos no governo, que têm soluções. O que eles fizeram quando governaram? Por que nos deixaram um país em ruínas e cheio de problemas?", questionou o presidente.

Ele disse que encontrou um governo "destroçado e abandonado" e está lutando contra "anos de mentira e frustração". "Mas já encontramos o caminho, temos uma meta comum e começamos a caminhar na direção do progresso. A economia está em movimento após quase seis anos sem crescimento e sem geração de empregos. Isso ainda não chegou para todos, por isso peço paciência.”

Oposição

A principal rival política de Macri é a ex-presidente Cristina Kirchner, que busca uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Ela encerrou a campanha em uma universidade na cidade de La Matanza, tradicional bastião peronista e região com mais eleitores da Província de Buenos Aires.

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Cercada de jovens, aos quais pediu que não vaiassem quando ela falasse do atual governo, Cristina fez críticas à política econômica de Macri e pediu aos eleitores que, com seu voto, mandem uma mensagem a ele.

A ex-presidente afirmou que em seu governo os argentinos não temiam perder seus empregos. "Isso não era um problema. Nem a comida, nem o remédio para os mais velhos, nem as tarifas de gás e de luz", criticou.

"É certo que as pessoas estão nervosas, mas não é pelas eleições ou pelo dólar, mas sim porque não sabem se terão emprego no fim do mês. É necessário colocar um limite no atual rumo econômico, que é absolutamente errado", afirmou a ex-presidente.

Cristina pediu aos eleitores que se expressem nas urnas no domingo para que o governo saiba que essa situação não pode continuar. "Aos que queiram ajudar o governo, saibam que vão ajudá-lo se convencê-lo a mudar o rumo econômico. Isso é essencial para a Argentina", disse a líder da aliança Unidade Cidadã.

De acordo com as pesquisas, os candidatos governistas teriam um melhor desempenho em nível nacional, mas a ex-presidente lidera na Província de Buenos Aires, a que tem mais eleitores no país.

"Nem Macri nem Cristina. Argentina. Essa é a mensagem que temos que dar nas urnas", disse o candidato ao senado Sergio Massa, da Frente 1País, que se coloca como uma terceira força nas eleições.

O encerramento da campanha foi marcado pela explosão de um pacote-bomba na sede de Buenos Aires da Indra, empresa responsável pelo sistema informático que será usado para a apuração provisória das eleições de domingo

Dois funcionários da companhia ficaram feridos no incidente, mas não correm risco de morrer, segundo as autoridades. / EFE

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