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Antes de reunião da UE, Hollande diz que Brexit é irreversível

Presidente da França considera votação passo sem volta; posição será discutida a partir desta segunda em reunião da UE

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

26 Junho 2016 | 20h11

PARIS -  O  presidente da França, François Hollande, afirmou neste domingo, 26,  considerar o rompimento entre Londres e Bruxelas “irreversível”. Na segunda-feira, 27, chefes de Estado e de governo de França, Alemanha e Itália e autoridades do bloco se reúnem em Berlim para estabelecer as bases da relação com o primeiro-ministro britânico demissionário, David Cameron.

Ao longo de todo o final de semana, reuniões políticas de alto nível foram realizadas em várias capitais europeias. Em Paris, Hollande recebeu no sábado o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, ao mesmo tempo em que ministros das Relações Exteriores dos seis países fundadores da UE - França, Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo - discutiram uma posição comum frente à Londres. 

Até aqui, o principal consenso é pressionar Cameron a enviar uma carta formal a Bruxelas na qual evocará o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece as condições para o desligamento de um país do bloco. Segundo o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, espera-se que Cameron apresente a carta oficial amanhã, durante a cúpula dos 28 chefes de Estado e de governo da UE.

Nesta segunda, Hollande, Renzi, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, além de Schulz, serão recebidos em Berlim pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para negociar a estratégia para o “divórcio” entre Londres e Bruxelas. Segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, as negociações não serão amigáveis, e Londres não terá concessões para deixar a União Europeia e ainda assim continuar membro do Espaço Econômico Europeu (EEE).

Outro ponto de consenso é a irrevogabilidade da decisão. Neste domingo, Hollande deixou claro que nenhuma iniciativa do Reino Unido no sentido de postergar seu desligamento do bloco ou mesmo cancelá-lo pode ser aceita. 

“Um país amigo, um país aliado, um país ao qual tantos vínculos nos unem, acaba de decidir se separar da União Europeia, que nós acreditávamos indestrutível, indissolúvel”, afirmou Hollande. “O que era impensável há alguns anos se tornou irreversível pelo voto de uma maioria do povo britânico.”

Para Hollande, o processo de desligamento deve começar o mais rápido possível para que, a seguir, a União Europeia também entre em processo de reformas. “A Europa deve estar à altura da grande ideia que ela criou. A Europa deve responder mais às expectativas de proteção e solidariedade dos povos. E é responsabilidade de França e Alemanha assumir a iniciativa.”

Nos bastidores, a pressão política vem aumentando sobre Angela Merkel, cujo governo encampou a bandeira da austeridade fiscal, apontada por franceses e italianos de ter aumentado a insatisfação popular em relação a Bruxelas.

No sábado, Renzi responsabilizou o rigor fiscal excessivo pela falta de crescimento e pelo desemprego. “Sem crescimento, não há trabalho. Sem investimentos, não há amanhã. Sem flexibilidade, não há comunidade”, afirmou o premiê italiano em nota oficial. 

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