Antiamericanismo divide aliança governista sul-coreana

O sentimento antiamericano transformou-se na maior questão na eleição presidencial desta quinta-feira na Coréia do Norte, com o favorito tendo perdido um apoio-chave devido a uma declaração sobre a possibilidade de uma guerra entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte.Washington é o principal aliado da Coréia do Sul, mas muitos sul-coreanos acreditam que a tentativa do presidente George W. Bush de forjar uma pressão internacional contra a Coréia do Norte, para o país abandonar suas ambições nucleares, é um obstáculo à reconciliação na península.O candidato governamental Roh Moo-hyun quer que seu país seja menos dependente de Washington, que mantém 37.000 soldados na Coréia do Sul.Mas um comentário feito por ele hoje provocou um irritada reação de Chung Mong-joon, seu parceiro de coalizão e o popular organizador de parte da Copa do Mundo deste ano, na Coréia do Sul.Kim Hang, a porta-voz de Chung, disse que o empresário do futebol e também industrial retirou seu apoio a Roh devido a uma "declaração imprópria" sobre a Coréia do Norte e os Estados Unidos.Roh teria dito, segundo Kim, que "se os Estados Unidos e a Coréia do Norte começam uma guerra, podemos ser envolvidos".Kim disse que Chung, um ex-candidato presidencial que abandonou a disputa para apoiar Roh, acredita não haver razão para os EUA iniciarem uma guerra contra a Coréia do Norte.A Coréia do Norte acusa os EUA de estarem planejando uma invasão, mas o secretário de Estado americano, Colin Powell, repetiu na segunda-feira comentários anteriores de Bush, dando conta de que Washigton não tem planos para invadir o Norte.A mídia local especulou que a divisão política também foi motivada por comentários feitos por Roh, nesta quarta-feira, de que partidários de Chung estavam "atropelando", ao gritar que Chung deveria ser o presidente em 2007.Roh, um ex-advogado dos direitos humanos que muitas vezes defendeu causas trabalhistas, e Chung, um filho do fundador do conglomerado Hyundai, muitas vezes pareceram estar em campos opostos. Eles se uniram para tentar derrotar o líder oposicionista Lee Hoi-chang, um conservador ex-juiz da Suprema Corte.Depois do anúncio de Chung, Roh tentou visitá-lo em casa, mas não foi recebido. Lee saudou a separação e teria dito, segundo assessores, que "a aliança deles nunca poderia funcionar".A campanha eleitoral ocorreu em meio a temores sobre as ambições nucleares de Pyongyang, com Roh defendendo um tratamento conciliatório, e Lee sendo partidário de uma linha-dura.Preocupações com a segurança foram trazidas para a linha de frente do debate eleitoral na semana passada, quando a Coréia do Norte declarou que iria reativar uma usina nuclear que, segundo denúncias de Washington, estava sendo usada para produzir armas nucleares.O sentimento antiamericano tornou-se um assunto de campanha depois dos protestos que se seguiram à absolvição, por cortes militares dos EUA, de dois soldados americanos que atropelaram, com seu veículo blindado, duas adolescentes sul-coreanas, em junho. As meninas morreram.Os soldados foram inocentados da acusação de homicídio culposo na corte marcial, mas manifestantes querem que eles sejam julgados em tribunais da Coréia do Sul e exigem que o país tenha mais jurisdição sobre casos envolvendo soldados dos EUA.Roh tinha uma pequena vantagem sobre Lee nas últimas pesquisas de intenção de voto, e não estava claro qual será o efeito do anúncio de Chung no resultado final. De acordo com a lei, o presidente Kim Dae-jung não pode concorrer à reeleição.Comentaristas acreditam que Roh deve ser beneficiado pelo sentimento antiamericano, que é mais disseminado entre os jovens. Lee é considerado mais alinhado com a administração dos EUA, que tem dito que a Coréia do Norte tem de primeiro abandonar atividades nucleares, antes que possa haver um diálogo.

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