Antichavismo exalta ‘duelo de direitas

Antichavismo exalta ‘duelo de direitas

Oposição venezuelana crê que eleição peruana isola mais Maduro, mas analistas locais ressaltam que Humala não se alinhou a bolivarianos

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2016 | 05h00

O líder opositor venezuelano Henrique Capriles mandou por Twitter uma mensagem para o presidente Nicolás Maduro. “Seja qual for o resultado do segundo turno da eleição peruana, a cada dia você está ficando mais sozinho em nossa América Latina.”

 A provável passagem para a disputa de 5 de junho de dois candidatos com imagem ligada à direita, Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski, deu margem a leituras semelhantes no Peru. O jornal La República, alinhado com a esquerda, definiu a eleição como “Reviravolta à direita”.

A bolsa peruana reagiu com a maior alta em nove anos e o dólar, que havia subido no ritmo da alta recente nas pesquisas da esquerdista Verónika Mendoza, recuou. “O humor dos investidores com o resultado é claro”, diz a analista econômica Alejandra Costa.

Na avaliação do cientista político chileno Patricio Navia, professor da Universidade de Nova York, a leitura de uma guinada à direita é imprecisa porque o atual presidente, Ollanta Humala, não deixa um governo hostil ao empresariado.

“Ele foi eleito como um líder da esquerda nacionalista em 2011, mas seu governo não levou isso adiante. Humala nunca foi aliado de Maduro, que aliás dificilmente sentirá saudades do atual presidente peruano. Por isso, não há uma mudança no mapa ideológico regional”, afirma Navia. 

O especialista diz que a esquerda latino-americana havia se empolgado com a candidatura de Verónika, que em algumas pesquisas chegou aparecer na segunda posição na última semana de campanha. Ela propunha um maior controle sobre as empresas estrangeiras no país.

Essa foi uma das razões pelas quais rompeu com o governo de Humala, que perdeu quase metade da bancada em relação ao começo do mandato e termina sua administração imobilizado politicamente. 

“Há uma sensação na América Latina contrária a quem está no poder e não administrou bem, não importa a linha ideológica”, diz Navia.

Analistas peruanos ressaltam que, mesmo que fique fora do segundo turno, a esquerda não havia conseguido tantos parlamentares nos últimos 10 anos – 20 entre 130. No início do ano, Verónika não aparecia entre os cinco favoritos à presidência.

“Se ela liderar sua bancada de forma coesa, pode ser um alternativa concreta para 2021”, diz Arturo Maldonado, professor da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

Os especialistas também ressaltam as diferenças entre o fujimorismo, representado por Keiko, e o grupo político de Kuczynski. Ambos são de linha conservadora em termos de moral e costumes, mas têm visão diferente sobre o tamanho do Estado.

Alberto Fujimori fez reformas consideradas liberais no início de seu mandato, mas será lembrado pelos intensos gastos públicos, considerado assistencialismo por seus detratores e investimento social por seus defensores. 

“Caso se confirme o duelo (do 2º turno), será um fujimorismo com seus antecedentes históricos e populistas contra uma direita mais liberal, que defende uma menor participação estatal. Está longe de ser a mesma coisa, embora Kuczynski tenha apoiado Keiko em 2011”, comparou a analista política Adriana Urrutia. 

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