Miraflores Palace/Handout / REUTERS
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Antichavistas denunciam manobras ilegais

Órgão eleitoral já foi acusado de ser tolerante com o uso de recursos e meios do Estado por parte do chavismo

Juan Francisco Alonso, especial para O Estado / Caracas, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2017 | 15h41

CARACAS - A oposição venezuelana acusa o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de favorecer o partido do governo com medidas como a extensão do tempo de votação, mesmo quando não há eleitores esperando, ou a reconfiguração dos distritos eleitorais, para atribuir mais deputados aos redutos do partido no poder. 

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“O governo e o CNE tomaram medidas para desencorajar a participação e reforçar a ideia de que as eleições não servem para resolver a crise, uma ideia que ficou no ar depois da obstrução do Congresso”, disse o jornalista especializado em questões eleitorais Eugenio Martínez. “Isso forçou a oposição a passar os últimos dias ensinando seus eleitores a votar nos 19 Estados onde não houve consenso em torno de seus candidatos e foi preciso fazer primárias”.

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A medida que provocou mais controvérsia e que pode ter o maior impacto nos resultados finais é a fusão de 274 centros eleitorais, onde votam mais de 700 mil eleitores, com outras unidades. Algumas dessas mudanças foram decididas pela maioria do CNE apenas 72 horas antes do início da votação.

“Os centros e mesas de votação foram reduzidos nas zonas da oposição. Isso vai causar confusão, porque não informaram direito para onde os eleitores foram deslocados”, disse Martínez.

Essas medidas afetaram não só a oposição, mas também o chavismo dissidente. Antonia Muñoz, histórica líder governista, não poderá concorrer para voltar ao governo de Portuguesa, 480 quilômetros a sudoeste de Caracas, Estado que dirigiu entre 2000 e 2008. 

Na quarta-feira, o presidente Nicolás Maduro disse que os eleitos deverão se subordinar ao órgão responsável pela elaboração de uma nova Constituição. “Os governadores que o povo escolher (...) terão de se subordinar à Assembleia Constituinte como uma condição inescapável. Nenhum governador ou governadora poderá receber diploma e assumir o cargo sem antes fazer seu juramento.”

O chavismo convocou mais uma Constituinte, formada em eleições contestadas por observadores internacionais e boicotadas pela oposição, e deu a ela em agosto as atribuições do Congresso, dominado pelos opositores. A ação tirou os poderes que ainda restavam ao Legislativo venezuelano.

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