Andreas Gebert/Reuters
Andreas Gebert/Reuters

Antiga queixa de assédio volta a assombrar campanha de Joe Biden

Vizinha diz que ouviu de ex-assessora de Biden relato de que foi colocada contra a parede e violentada no Capitólio 

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 03h00

WASHINGTON - A ex-assessora do Senado que acusou o candidato presidencial democrata Joe Biden de agressão sexual compartilhou detalhes do suposto incidente em uma conversa, em meados dos anos 90, revelou uma ex-vizinha dela. 

Lynda LaCasse disse ao Washington Post, em uma mensagem de texto, que enquanto morava perto de Tara Reade, entre 1995 e 1996, a ex-assessora disse a ela que “Joe Biden a agrediu sexualmente”. “Ela (Reade) disse que ele (Biden) a colocou contra uma parede, pôs a mão por baixo de sua saia e os dedos dentro dela”, contou LaCasse, que não deu outros detalhes e também não aceitou conceder entrevista. 

“Sou uma democrata e estou apoiando Joe Biden nesta eleição”, escreveu LaCasse na mensagem. “Acreditei em Tara na época em que ela me disse que Biden a agrediu e continuo a apoiá-la agora. Sinto que a verdade precisa ser dita.”

Biden não comentou a acusação, apesar dos crescentes pedidos dos democratas para fazê-lo, e rejeitou solicitações de entrevista. Kate Bedingfield, vice-gerente da campanha de Biden, o defendeu. “Ele (Biden) acredita firmemente que as mulheres têm o direito de serem ouvidas, e ouvidas com respeito”, disse. “Tais declarações também devem ser analisadas com cuidado e o que está claro até agora é que elas são falsas. Isso absolutamente não aconteceu.”

Biden tem enfrentado pressão dentro do partido para dar explicações públicas sobre a acusação. No entanto, várias das mulheres que trabalham com ele em sua campanha presidencial declararam acreditar na versão do ex-vice-presidente dos Estados Unidos.

Reade, que trabalhou para Biden por nove meses, em 1993, disse em entrevista ao Washington Post, no ano passado, que Biden colocou as mãos nos seus ombros e no seu pescoço enquanto ela trabalhava no escritório do senador.

Reade contou ainda que reclamou com três assessores que chefiavam o escritório. Procurados, eles disseram que não se lembravam de queixas vindas de Reade. No mês passado, a ex-assessora parlamentar alegou que o então senador a havia agredido depois de empurrá-la contra uma parede em um lugar não especificado do Capitólio.

O jornal New York Times entrevistou pessoas que trabalharam com Biden no início dos anos 90. Várias delas alegaram não ter ouvido nada sobre isso e que esse tipo de acusação não corresponde à personalidade de Biden. 

Em 2019, várias mulheres disseram que Biden era “muito afetuoso de uma maneira que as deixava desconfortáveis”. A acusação de Reade de que Biden a havia agredido sexualmente foi a primeira do gênero contra ele. / W.Post

 

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