Antigas escravas sexuais se rebelam

Coreanas cancelam reunião com prefeito japonês

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2013 | 02h05

Duas idosas coreanas que foram forçadas a trabalhar como escravas sexuais na época da 2.ª Guerra exigiram a renúncia do prefeito de Osaka e cancelaram um encontro que teriam com ele ontem, após o político ter justificado, na semana passada, o fato de os japoneses terem forçado dezenas de milhares de mulheres asiáticas a se prostituir em bordéis para soldados do Exército do Japão.

O prefeito de Osaka, Toru Hashimoto, também um dos líderes de um partido nacionalista, enfureceu os países vizinhos ao afirmar que o uso das chamadas mulheres de conforto, trazidas principalmente de Coreia do Sul, China e Filipinas durante a 2.ª Guerra, foi necessário para manter a disciplina militar e ajudar os soldados a se relaxar.

Hashimoto disse a jornalistas que o cancelamento da reunião foi "lamentável", mas que respeitava os sentimentos das mulheres. Acrescentou que pretendia expressar seu pesar pelo que elas sofreram como escravas sexuais e se desculpar por ter ferido sentimentos com os seus comentários que, segundo ele, foram mal interpretados pela mídia.

De acordo com historiadores, 200 mil mulheres de toda a Ásia foram forçadas a se prostituir. Simpatizantes das duas senhoras, Kim Bok-dong e Kil Won-ak, que hoje têm quase 80 anos, disseram que não há nada a falar a respeito, pois Hashimoto não manifestou nenhum arrependimento em seus comentários. Para eles, o prefeito deve ter pensado em usar o encontro - que seria transmitido pela TV - para parecer gentil com elas e reduzir as críticas.

As mulheres afirmaram num comunicado que ficaram muito constrangidas com os "comentários ultrajantes". Elas exigiram que Hashimoto, de 43 anos, peça desculpas e deixe a prefeitura de Osaka, a segunda maior cidade do Japão.

"Não podemos comprometer nosso passado doloroso e a realidade que ainda vivemos hoje com uma encenação do prefeito pedindo desculpas", afirmaram em comunicado. "Não precisamos sofrer abusos novamente."

Em 1995, Tóquio lançou um fundo de doações como uma maneira de o Japão pagar as antigas escravas sexuais sem necessidade de uma indenização. Muitas sul-coreanas rejeitaram o fundo, exigindo uma desculpa formal do governo aprovada pelo Parlamento.

As duas senhoras, que participam regularmente de protestos diante da Embaixada do Japão em Seul, haviam solicitado a reunião com Hashimoto no ano passado, o que foi recusado. No dia em que fez os comentários, ele repentinamente informou que as receberia. / AP

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