Filip Singer/EFE/EPA
Filip Singer/EFE/EPA

Antigos acordos de cessar-fogo sempre tiveram algum ponto frágil; leia análise

Há uma reconstrução depois de cada ciclo de violência, em geral com ajuda de ONU, União Europeia e Catar, mas sem uma paz permanente, essa reconstrução é sempre arriscada

Shashank Bengali*, The New York Tmies, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 18h48

Sob crescente pressão internacional, Israel e Hamas acertaram um cessar-fogo que suspende o confronto mais letal desde a guerra entre eles, em 2014. Mas a história das hostilidades entre israelenses e palestinos está repleta de acordos que fracassaram e não solucionaram as disputas.

Os acordos passados, normalmente, estabeleciam etapas, começando com um acerto de que cada lado deixaria de atacar o outro, dinâmica que os israelenses chamam “quiet for quiet” (tranquilidade por tranquilidade). Significa que o Hamas deixaria de lançar foguetes contra Israel, que não mais bombardearia Gaza.

As pausas nos combates normalmente eram seguidas por outras medidas: Israel amenizava seu bloqueio a Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária, combustível e outros produtos. O Hamas controlava seus manifestantes e grupos militantes aliados que atacam Israel. E ambos os lados trocavam prisioneiros ou mortos em ação. Desta vez, até agora, Israel não usou forças terrestres em Gaza.

No entanto, os problemas maiores – como uma reabilitação mais completa de Gaza e uma melhora das relações entre Israel, Hamas e Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, continuaram sem definição. Há uma reconstrução depois de cada ciclo de violência, em geral com ajuda de ONU, União Europeia e Catar, mas sem uma paz permanente, essa reconstrução é sempre arriscada.

Apesar do número devastador de mortes de civis palestinos e da destruição de casas, escolas e instalações médicas em Gaza, o atual conflito foi mais limitado do que outras guerras entre Israel e Hamas, em 2008 e 2014, quando soldados israelenses entraram no enclave palestino. Nos conflitos passados, um combate feroz irrompeu dias antes e depois de acordos de cessar-fogo, com ambos os lados desejando desferir seu ataque decisivo.

Em julho de 2014, seis dias depois de o Exército israelense começar a bombardear Gaza, o Egito propôs um cessar-fogo que Israel aceitou. Mas o Hamas alegou que o acordo não atendia às suas demandas e o ciclo de lançamentos de foguetes contra Israel e os ataques aéreos israelenses contra Gaza foram retomados após menos de 24 horas.

O Egito anunciou outro cessar-fogo, dois dias depois, mas Israel enviou tanques e forças terrestres a Gaza e começou a atacar a região a partir do mar, declarando que o objetivo era destruir os túneis usados pelo Hamas para realizar ataques. Nas semanas seguintes, forças israelenses periodicamente interromperam seus ataques para permitir a entrada de ajuda humanitária, mas os combates continuaram. Ao todo, nove tréguas foram firmadas e violadas antes de o conflito de 2014 chegar ao fim, depois de 51 dias, com mais de 2 mil palestinos e mais de 70 israelenses mortos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É JORNALISTA.

Tudo o que sabemos sobre:
Israel [Ásia]HamasPalestina [Ásia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.