MICHAEL REYNOLDS/EFE
MICHAEL REYNOLDS/EFE

Atos antirracistas abafam marchas de supremacistas brancos nos EUA

Rede de extrema direita organizou concentração perto da Casa Branca em defesa dos 'direitos civis dos brancos' e esperava 400 pessoas, mas apenas dezenas estiveram no local; grupos pelos direitos civis pediram resistência e ocupação contra extremistas

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2018 | 20h06
Atualizado 12 Agosto 2018 | 21h42

WASHINGTON - Um ano após os confrontos que deixaram uma mulher morta e 19 feridos em Charlottesville, Virgínia, o grupo de supremacistas brancos tentou repetir neste domingo, 12, o movimento de 2017, mas foi abafado por milhares de manifestantes que tomaram o centro de Washington contrários à concentração.

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A rede de extrema direita havia convocado uma espécie de segunda edição da marcha de 2017, mas dessa vez na capital americana. Antes de o protesto começar, dezenas de integrantes se reuniram na praça Lafayette para atender ao chamado da “Unite the Right 2”, em defesa dos “direitos civis brancos”.

 

Promotor da manifestação do ano passado, Jason Kessler havia pedido autorização para marchar em Charlottesville, a menos de 200 km de Washington, mas as autoridades da cidade a negaram.

Em reação à convocação, diversos grupos dos direitos civis e antirracistas, como o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), começaram uma concentração pacífica em frente à Casa Branca, com cartazes que diziam “não aos nazistas, não a Ku Klux Klan, e não aos EUA Fascistas”.

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Os organizadores do #OccupyLafayettePark, um grupo de defesa de direitos civis que realiza protestos noturnos na praça, seguravam cartazes dizendo “Love America, Hate Trump” (Ame a América, Odeie Trump) e “Defend The District From White Supremacy” (Defenda a cidade contra a supremacia branca)” desde a noite de sábado 11.

“Alguns dizem que a melhor estratégia é ignorar os supremacistas brancos, que não devemos lhes dar muita atenção. Mas nós realmente acreditamos que seria um erro enorme deixar que os fascistas pisem forte no solo da capital do país, sem oposição”, disse à agência France Press Kei Pritsker, de 22 anos, integrante da Answer Coalition, grupo antirracismo. 

Temendo outros distúrbios como os do ano passado, a polícia americana reforçou o esquema de segurança para manter os dois movimentos separados e evitar as brigas de rua. Em 2017, no centro de Charlottesville, a moradora Heather Heyer foi morta quando o simpatizante neonazista de Ohio James Fields dirigiu seu carro contra a multidão de manifestantes.

Neste domingo, todas as armas de fogo foram proibidas no local dos protestos na capital, até mesmo para cidadãos que tivessem licença para portá-las.

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Kessler tentou fazer um discurso na praça Lafayette sobre os “direitos civis dos brancos”, mas foi interrompido pelos milhares de manifestantes antirracismo que estavam no local – alguns usavam máscaras pretas, capacetes e coletes do movimento Antifa, que esteve envolvido nos confrontos de 2017 em Charlottesville. 

Com o fracasso da marcha, o grupo de supremacistas brancos foi retirado da praça próxima à Casa Branca e conduzido pela polícia em vans brancas até a estação de metrô Rosslyn, de onde pegariam um trem para Vienna e poderiam ser escoltados até seus carros. 

Críticas.

O presidente Donald Trump não comentou as marchas enquanto elas ocorriam. No sábado, ele havia condenado “todos os tipos de racismo” em um post no Twitter, justamente em alusão à data de um ano dos confrontos em Charlottesville. 

Neste domingo, a assessora da Casa Branca Kellyanne Conway disse que a mídia “não estava cobrindo as repetidas denúncias do presidente contra supremacistas brancos”. No ano passado, Trump foi duramente criticado por não condenar claramente os manifestantes supremacistas.

No fim da tarde, houve confrontos entre os manifestantes contrários aos supremacistas e a polícia. Os integrantes do movimento Antifa lançaram fogos de artifício em direção ao cercado da Casa Branca e foram reprimidos.

Cerca de 200 manifestantes mascarados derrubaram latas de lixo e gritaram slogans contra a polícia. 

No ano passado, os policiais também foram criticados pela resposta passiva diante da violência na manifestação supremacista.

Relembre o caso

Em agosto do ano passado, a Unite the Right obteve autorização para conduzir uma marcha em Charlottesville, na Virginia, em protesto contra um projeto municipal que previa a retirada da estátua do general confederado Robert E. Lee. A manifestação começou no dia 11 e envolveu simpatizantes neonazistas e supremacistas brancos. 

No dia seguinte, o ato continuou pela cidade e encontrou manifestantes contrários à marcha, favoráveis à política de retirada da estátua e membros do movimento Black Lives Matter. Após o fim da marcha, houve confrontos entre os supremacistas brancos e os contra-manifestantes. Um simpatizante neonazista avançou com seu carro na direção dos manifestantes contrários ao racismo, matando Heather Heyer, de 32 anos, e deixando 19 feridos. /EFE, AFP, NYT e The Washington Post

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