Antraz contamina primeira pessoa em Nova York

O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, pediu hoje calma à população da cidade após a revelação de que uma funcionária da rede de televisão NBC foi contaminada pela bactéria antraz e uma repórter do diário The New York Times recebeu uma carta contendo um pó branco suspeito. Um outro diagnóstico no Estado de Nevada está praticamente confirmado. Com isso, são cinco ocorrências em menos de dez dias. O FBI não apontou uma ligação entre esses casos e os três da Flórida - onde um homem morreu de antraz há oito dias - nem estabeleceu conexão com terrorismo, uma vez que a investigação ainda está em andamento. Mas o vice-presidente Dick Cheney declarou à rede pública de TV PBS que pode haver uma relação com Osama bin Laden. Ele ressalvou, porém, que ainda não há firme evidência de terrorismo. "Sei que a investigação não terminou e se trata possivelmente de uma coincidência, mas sou pessimista", afirmou. Ao mesmo tempo, a imprensa da República Checa tem divulgado que o egípcio Mohammed Ata, um dos seqüestradores de um avião jogado contra o World Trade Center, encontrou-se em Praga com um funcionário do setor de inteligência iraquiano. O Iraque é um dos países que possuem armas biológicas. A rede de TV CBC e a agência de notícias Associated Press (AP) fecharam seus setores de correspondência como medida de precaução pelo fato de os outros três casos registrados anteriormente, no Estado da Flórida, terem sido também numa empresa de comunicações, uma editora. A carta enviada à funcionária da NBC e uma outra suspeita, destinada à repórter Judith Miller, do Times, co-autora de um best seller sobre bioterrorismo, foram postadas em St. Petersburg, na Flórida. A letra do emissor é parecida. A correspondência para a NBC era para o âncora Tom Brokaw, que se submeteu a exames de laboratório. O Estado de Nevada informou que um empresário recebeu uma carta contendo "presumivelmente" a bactéria. As autoridades alertaram as empresas para que adotem medidas de segurança no manuseio de correspondências e o secretário de Justiça, John Ashcroft, anunciou a abertura de uma nova investigação criminal, ressalvando, porém, "não haver nenhuma prova de que haja um vínculo entre o ocorrido na Flórida e em Nova York." As bactérias não são do mesmo tipo nos dois casos. A que contaminou a empregada da NBC é do tipo cutâneo, absorvida pela pele, enquanto as três pessoas afetadas na Flórida tomaram contato com o antraz pelas vias respiratórias. A doença em sua forma cutânea é bem menos perigosa e mais tratável, conforme informou a própria NBC no comunicado sobre o caso. A mulher não foi identificada. Ela era assistente de Brokaw e trabalhava na sede principal da TV, no centro da Ilha de Manhattan. O secretário americano de Saúde, Tommy Thompson, pediu aos americanos que não se deixem intimidar pelas suspeitas de ataques com antraz "porque isso é o que os terroristas querem". Houve denúncias não confirmadas de material suspeito no Colorado, entre outros locais. Ele reafirmou que a bactéria não é transmissível de pessoa para pessoa e o caso registrado na Flórida é diferente do da NBC. Mas alertou. "Se notarem lesões na pele que se tornam escuras, procurem um médico." Leia o especial

Agencia Estado,

12 Outubro 2001 | 23h27

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