Antraz enviado ao Congresso é mais letal

As bactérias de antraz encontradas em carta enviada ao senador Tom Daschle, líder da maioria democrata na Casa, são altamente concentradas e muito mais perigosas do que as remetidas ao jornal New York Post, declarou, nesta quinta-feira, o secretário de Segurança Interna, Tom Ridge, ao divulgar o resultado de novos testes realizados. Ridge revelou que os esporos são menores, modificados com técnicas militares. "Eles são mais perigosos porque podem ser absorvidos mais facilmente pelo sistema respiratório de uma pessoa", ressaltou. Já os esporos presentes na carta enviada ao New York Post "são irregulares e agrupados". O secretário identificou esse novo tipo de antraz como Ames (nome de uma cidade de Iowa). Trata-se do tipo usado em pesquisa de armas biológicas nos EUA, assim como para testar vacinas. Rudge não comentou, porém, uma informação do jornal The Washington Post, que citou fontes ligadas à investigação que afirmam que o tipo de bactéria do antraz da carta para Daschle foi tratado com um aditivo químico para que os esporos permaneçam suspensos no ar por um longo período de tempo. Segundo as fontes citadas, o aditivo é tão sofisticado que só três países - EUA, Rússia e Iraque - são capazes de produzi-lo. Rudge afirmou que, embora as características dos dois tipos de bactérias sejam distintas, "nenhum deles foi geneticamente alterado, eles respondem aos antibióticos". Até agora, 15 casos de pessoas doentes de antraz foram confirmados nos Estados Unidos. Três das vítimas acabaram morrendo por terem inalado a bactéria. As autoridades sanitárias e o governo confirmaram, nesta quinta-feira, mais dois casos positivos de antraz - um num centro de distribuição de correspondência do Departamento de Estado, situado em Sterling, na Virgínia, e outro nos escritórios da NBC, em Nova York. Em Sterling, um funcionário foi contaminado. "Não sabemos ainda como isso aconteceu", disse Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado, ao revelar o resultado dos exames a que foi submetida a vítima. Ele acrescentou que a entrega de correspondência está suspensa. Boucher disse ainda que o funcionário foi hospitalizado. Não explicou se ele havia inalado a bactéria, o que tornaria seu estado preocupante. A NBC, por outro lado, revelou que uma funcionária da rede de televisão foi contaminada pela bactéria, "que provavelmente a atacou na pele" - uma forma bastante branda de infecção. Um possível caso de antraz em um outro funcionário da NBC foi classificado na categoria de "suspeição provável", informou o Departamento de Saúde de Nova York. Segundo um porta-voz do departamento, o funcionário "abriu e manipulou" uma carta dirigida ao jornalista Tom Brokaw - cuja secretária já havia sido infectada alguns dias antes. Os primeiros testes realizados com esse empregado deram negativo. Mas os técnicos concluíram posteriormente que os exames sanguíneos não seguiram os padrões adequados para o caso. Ainda em Washington, as autoridades sanitárias confirmaram a internação de duas crianças com suspeita de exposição ao antraz. "Uma menina de 2 anos e um menino de 11 podem estar infectados", disse Marissa Garis, porta-voz do Hospital Pediátrico de Washington. Ela negou-se a revelar onde e como as crianças teriam sido expostas. A porta-voz disse apenas que o menino foi hospitalizado na segunda-feira, e a menina, na quarta. "O estado deles é satisfatório", destacou ela. Segundo o jornal The New York Times, as duas crianças teriam contraído a "perigosa forma respiratória da enfermidade". Também sob suspeita de contaminação está uma jornalista que acompanha os trabalhos do Congresso. Ela manipulou uma carta no início do mês. A jornalista está internada no Hospital Santa Cruz, de Maryland, onde é submetida a tratamento preventivo. O nome dela não foi revelado. Sabe-se, no entanto, que estava no Edifício Hart, que abriga gabinetes de senadores, no momento em que foi aberta a carta contaminada, remetida ao líder da maioria democrata no Senado, Thomas Daschle, no começo do mês. "Tenho boas razões para crer que ela (a jornalista) escapa desta", disse o infectologista do hospital, dr. John Eisold. No mesmo edifício onde a jornalista foi contaminada, outros dois focos foram encontrados nesta quinta, informou Daschle. Segundo o senador, há sinais de antraz num filtro de ar condicionado do nono andar e na escada do oitavo para o nono andar. Leia o especial

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 23h01

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