Antraz parece ter chegado a empresa por carta

A terceira pessoa exposta à bactéria do antraz na editora America Media foi identificada, nesta quinta-feira, como funcionária da triagem de correspondência do edifício da empresa em Boca Ratón, na Flórida. Trata-se da mesma seção de trabalho de um dos outros dois funcionários da editora contaminados pelo antraz, o que parece reforçar a hipótese de que a bactéria pode ter chegado por carta à editora. A terceira vítima é Stephanie Dailey, de 35 anos, que está sendo tratada com antibióticos e se recupera em sua residência em Boynton Beach. A bactéria foi encontrada numa amostra de sua secreção nasal, mas Stephanie - uma das mais de mil pessoas submetidas a exames desde segunda-feira - não apresenta sintomas da doença. Seu colega de seção Ernesto Blanco, de 73 anos, foi internado dias atrás com sinais de exposição ao antraz, mas também está fora de perigo. Já o terceiro funcionário contaminado, o fotógrado Robert Stevens, de 63 anos, morreu na última sexta-feira por causa da doença. Centenas de funcionários e familiares ainda aguardam o resultado de seus exames. Segundo funcionários, a editora recebeu dias atrás uma carta de amor dirigida à atriz e cantora Jennifer López, contendo uma substância parecida com sabão em pó e uma estrela de Davi. Agentes do FBI (polícia federal americana) e da Saúde continuaram vasculhando o edifício da America Media e examinando amostras colhidas no local como parte de uma investigação criminal para descobrir como o prédio foi contaminado. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças tenta descobrir a rota de transmissão da contaminação. O FBI informou que foi encontrado antraz "numa série de pontos" dentro do prédio, mas a contaminação limita-se ao edifício e, pelo menos por enquanto, não há provas de ação terrorista. Mas o presidente da America Media, David Pecker, disse ter certeza de que a editora foi deliberadamente atacada. "Creio que é um caso de bioterrorismo, pois o antraz apareceu em nosso edifício e alguém teve de colocá-lo lá." O chefe do laboratório de defesa biológica do Exército americano, Edward Zeiten, disse a uma subcomissão da Câmara que, embora o antraz possa ser fatal se inalado, "não é tão simples como parece" usá-lo como arma. "Suas partículas tendem a agrupar-se. Por isso, são necessários aditivos para impedir isso", afirmou. "Se elas se agrupam, simplesmente caem no chão e não fornecerão um bom aerossol." Mas, com o terceiro caso, aumentou nos EUA, particularmente na Flórida, o medo de um ataque biológico, principalmente entre carteiros - que correram para submeter-se a exames. Só hoje, a polícia de Miami respondeu a mais de 100 emergências relacionadas ao temor de terrorismo químico ou biológico. Todas foram alarmes falsos. Em Nova Jersey, 500 crianças de uma escola foram retiradas do local depois que um professor viu um pó branco que saía de uma caixa. Era talco. No Texas, um edifício universitário foi esvaziado depois que um funcionário suspeitou de um líquido transparente que saía de um envelope. Era excesso de cola. Pecker, por sua vez, fez um chamado destacando que os jornais de sua editora não são contagiosos. Leia o especial

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 21h41

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