Mohammed al-Law/AP
Mohammed al-Law/AP

Anúncio da morte de Mubarak seria tentativa de livrá-lo da prisão

Advogado do ex-ditador contesta afirmação de críticos e diz que estado de saúde é estável

estadão.com.br,

20 de junho de 2012 | 13h01

Texto atualizado às 18h00

CAIRO - Críticos do ex-presidente Hosni Mubarak acreditam que o anúncio de sua morte clínica foi uma tentativa de livrá-lo da pena de prisão perpétua na Prisão de Torah e transferi-lo para um local mais confortável, segundo o jornal The NeW York Times. Fontes de baixa patente do Exército, sob condição de anonimato, disseram ao jornal que os rumores da morte de Mubarak eram parte de uma estratégia da Junta Militar para que ele receba tratamento médico fora do Egito.

Veja também:

linkRumor de morte de Mubarak se soma a impasse eleitoral e incertezas

linkPraça Tahrir protesta contra Junta Militar e dissolução do Parlamento

tabela ESPECIAL: Primavera Árabe

Declarações de um dos advogados do ex-ditador contestam essas afirmações. Mubarak está internado há dois dias no hospital militar de Maadi. Segundo os médicos, ele teria sofrido uma parada cardíaca e um acidente vascular cerebral (AVC). Depois disso, teria entrado em coma e respiraria com ajuda de aparelhos.

O advogado Youssri Abdel Razeq negou as informações e criticou a agência estatal Mena, responsável pela divulgação da morte clínica. Segundo ele, seu cliente se sentiu mal e caiu no banheiro, com um coágulo no pescoço, mas foi rapidamente medicado e examinado. Seu estado de saúde, diz o advogado, é estável. Mubarak teria sido transferido da prisão bem antes das primeiras notícias sobre sua morte.

Fontes médicas que o acompanharam em sua transferência do hospital da prisão de Tora a um centro médico do Exército, também no Cairo, dizem que o ex-presidente egípcio se encontra em coma desde a noite de ontem, após sofrer uma trombose.

As fontes explicaram que o ex-mandatário, de 84 anos, ainda está em coma porque os médicos não conseguiram dissolver o coágulo existente em seu cérebro, e não descartaram uma cirurgia a qualquer momento para extraí-lo.

O correspondente da televisão estatal egípcia no hospital militar de Maadi assegurou hoje que Mubarak está inconsciente e respira com a ajuda de aparelhos.

Uma fonte médica oficial, citada pelo site em inglês do jornal estatal "Al-Ahram", ressaltou que o ex-mandatário não está em coma profundo, que poderia sobreviver e que as próximas 72 horas serão fundamentais. Nesse caso, Mubarak poderia não recuperar todas suas capacidades intelectuais e físicas, e sofrer sequelas na capacidade de concentração e na visão, indicou a fonte.

A mesma fonte acrescentou que os dois filhos de Mubarak, Gamal e Alaa, atualmente na prisão de Tora, receberam permissão para visitar seu pai no hospital de Maadi.

Prisão

Mubarak foi encarcerado em Tora em 2 de junho, após ser condenado à prisão perpétua por sua cumplicidade na morte de manifestantes durante as revoltas que levaram a sua renúncia, em fevereiro de 2011.

Desde seu ingresso na prisão, a saúde de Mubarak começou a deteriorar-se, e durante seus 17 dias em Tora teve de ser atendido de emergência em várias ocasiões.  

Tudo o que sabemos sobre:
Primavera ÁrabeHosni MubarakEgito

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.