Anúncio de segundo turno no Haiti gera protestos

Oposição acusa presidente de favorecer candidato governista, que foi ao 2º turno por apenas 6.845 votos

BBC

08 de dezembro de 2010 | 07h12

Manifestantes tomaram as ruas e queimaram pneus após anúncio.

PORTO PRÍNCIPE - Autoridades eleitorais do Haiti anunciaram nesta terça-feira que o candidato governista Jude Celestin disputará o segundo turno da eleição presidencial com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat.

 

Segundo os dados oficiais, Manigat teve 31% dos votos, e Celestin teve 22%. O cantor pop Michel Martelly obteve 21% e ficou fora da disputa. Violentos protestos foram registrados na capital, Porto Príncipe, logo após o anúncio dos resultados.

Muitos observadores estrangeiros afirmaram ter havido irregularidades na votação do dia 28 de novembro. Doze dos 18 candidatos, incluindo Manigat e Martelly, acusaram o presidente René Préval de favorecer seu candidato, Celestin. O segundo turno será realizado no dia 16 de janeiro.

Clima tenso

Segundo relatos locais, o clima nas ruas da capital era tenso. Tiros puderam ser ouvidos perto do restaurante da cidade no qual os resultados foram anunciados, no bairro de classe média-alta Petionville.

Após o anúncio, barricadas com pneus em chamas foram montadas perto do restaurante, e simpatizantes de Martelly atiraram pedras em adversários. A pequena margem de diferença entre Celestin e Martelly - 6.845 votos - gerou pedidos para que o cantor também seja incluído no segundo turno.

Uma missão conjunta de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comunidade do Caribe disse que as autoridades locais deveriam considerar a inclusão de um terceiro candidato no segundo turno se a votação fosse apertada. Mas Martelly disse que não aceitará um lugar no segundo turno se Celestin estiver incluído.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu as irregularidades na eleição como "mais sérias do que se pensava inicialmente". Simpatizantes da oposição programaram vários protestos, exigindo a anulação da eleição.

Os problemas na votação geram temores de mais violência no país, que luta para se recuperar do terremoto que matou mais de 250 mil pessoas em janeiro e ainda enfrenta uma epidemia de cólera, que já deixou mais de 2.000 mortos.

 

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