Anúncio dos resultados do 2º turno no Zimbábue é adiado

Convites para cerimônia de posse, que aconteceria hoje, chegaram a ser distribuídos pelo governo

EFE

29 de junho de 2008 | 10h22

A publicação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue foi adiada até segunda-feira, 30, e não se sabe se a cerimônia de posse de Robert Mugabe como presidente será realizada. "Não podemos dar os resultados. Esperamos poder fazer isso amanhã", disse Utoile Silaigwana, chefe da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês). Silaigwana limitou-se a fazer esta breve declaração e não quis explicar quais eram as razões pelas quais foi adiado o anúncio dos resultados.  O vice-ministro de Informação, Bright Matonga, foi evasivo em relação aos boatos que apontam que Robert Mugabe poderia ser empossado como presidente ainda neste domingo, 29, uma vez que convites para a cerimônia chegaram a ser distribuídos."Não podemos falar de uma inauguração antes que a apuração dos votos tenha acabado", declarou Matonga. "Esperemos que a apuração termine, e então falaremos de investiduras", acrescentou.  Cogitou-se que Mugabe queria se proclamar presidente do Zimbábue neste domingo antes de viajar nesta segunda ao Egito para assistir a uma reunião da União Africana (UA). No entanto, várias fontes confirmaram que os dados obtidos em dois terços dos colégios eleitorais refletem uma vitória previsível de Mugabe sobre o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, por uma grande vantagem.  No segundo turno, Mugabe era candidato único. Tsvangirai anunciou que se retirava do pleito a apenas 5 dias de sua realização pela repressão sofrida por seus partidários. Apesar disto, o nome de Tsvangirai foi mantido nas cédulas, já que as autoridades eleitorais não aceitaram sua decisão de abandonar o pleito faltando poucos dias para a realização do mesmo.  A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório no qual destacava a situação de tensão vivida no sábado, 28, pelas pessoas que não iam votar. Segundo o documento, "várias pessoas disseram à HRW que nas primeiras horas do dia 28, partidários da Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica) iam de porta em porta, forçando o povo a mostrar a tinta de suas mãos como sinal de que tinham votado". "Quem não tinha tinta nos dedos era levado às sedes da Zanu-PF e eram espancados com bastões e com paus", acrescenta o relatório.  As eleições foram realizadas no Zimbábue sob um forte pressão internacional por parte de organismos como a ONU, a Comissão para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e o G8 (sete nações mais ricas do mundo e a Rússia), e de países como os Estados Unidos (que chegou a anunciar sanções ao país), Reino Unido e França.

Tudo o que sabemos sobre:
ZIMBÁBUEEFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.