Anúncio eleva alerta de Japão, Austrália e Coreia do Sul

Países, que compartilham dados de inteligência, adotam maior grau de atenção desde fevereiro de 2005

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

O anúncio de que a Coreia do Norte desenvolveu uma nova versão do míssil Taepodong-2 elevou ontem os níveis de alerta no Japão, Coreia do Sul e Austrália - três países que partilham informações de inteligência - ao mais alto patamar desde fevereiro de 2005, quando Pyongyang confirmou a posse de armas nucleares, segundo revelou o Centro de Estudos Internacionais mantido pelo congressista republicano Benjamin Gilman, em Washington.A Coreia do Norte construiu e modernizou, desde 1990, 1.500 mísseis convencionais, com alcance entre 75 e 8 mil quilômetros. Vendeu 400 deles - os mais simples - para Iraque (sob Saddam Hussein), Irã, Síria, Líbia, Paquistão, Egito, Iêmen e Sudão. De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, a revitalização de velhos modelos dos mísseis Scud A/B/C fabricados na ex-União Soviética rendeu a Pyongyang US$ 650 milhões - o suficiente para manter o programa de desenvolvimento e construção de mísseis no complexo de Yongbyon.O resultado prático desse esforço é uma família de armas formada pelo precursor Nodong-1, com alcance na faixa de 1.400 km, armado com uma ogiva de 250 kg. Depois, seguem-se os temíveis Taepodongs, com raio de ação entre 2,5 mil e, no futuro, até 12 mil quilômetros.O maior deles, testado em julho de 2006, pode chegar ao Alasca e ao Havaí - ou, talvez, à Costa Oeste dos EUA, em condições ideais de disparo. O Taepodong-2/3 mede 35,5 metros, tem três estágios, pesa 64 toneladas. O peso das ogivas é de 800 quilos a 1 tonelada. Um relatório dos EUA registra "a precariedade do sistema de guiagem, (...) levando a erro de até 8 quilômetros em relação ao alvo pretendido". Não faz muita diferença. O raio de destruição e contaminação de um míssil desse porte, com uma carga nuclear, pode chegar a 40 quilômetros.A versão em uso pelas Forças Armadas norte-coreanas é o Taepodong-1/2, preparado para atingir objetivos estratégicos na Coreia do Sul e no Japão. De acordo com o North Korea Advisory Group, criado pelo ex-presidente George W. Bush, está em desenvolvimento uma outra versão, para ser lançada a partir de plataformas móveis.O regime de Kim Jong-il sustenta o terceiro maior Exército do planeta, menor apenas que o dos EUA e o da China. Ele reúne 1,6 milhão de homens e mulheres, mais 4,7 milhões na reserva especial.

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