Ao menos 14 morrem em ataques coordenados no Afeganistão

Militantes taleban usaram ações suicidas, armas de fogo e foguetes para atingir sede e prédios do governo

21 de julho de 2009 | 08h46

Pelo menos 14 pessoas morreram nesta terça-feira, 21, em uma série de atentados promovidos por militantes do Taleban no leste do Afeganistão. Insurgentes atacaram três prédios do governo e uma base americana nas cidades de Gardez e Jalalabad, perto da capital do país, Cabul. Sete suspeitos e cinco agentes de segurança morreram nos incidentes. 

 

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Os ataques ocorreram por volta das 11h locais (3h30 da manhã em Brasília). Os milicianos recorreram a ações suicidas, armas de fogo convencionais e foguetes para atacar quase simultaneamente a sede do governo, a sucursal do serviço secreto e uma delegacia em Gardez, no leste afegão, informaram autoridades locais. No momento do ataque à sede do governo de Gardez, anciões tribais e funcionários locais haviam acabado de participar de uma reunião sobre a segurança para as eleições presidenciais de 20 de agosto, disse o vice-governador Abdul Rahman Mangal.

 

Um foguete lançado contra o departamento de inteligência matou três oficiais, enquanto um homem-bomba matou outros dois policiais na frente da delegacia. Um outro foguete atingiu a casa do governador, mas não deixou vítimas. Pelo menos quatro terroristas foram mortos a tiros durante o atentado contra a delegacia e o complexo governamental, incluindo dois militantes vestidos em burcas. Um porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, afirmou que 15 militantes - todos suicidas - atacaram a cidade de Gardez.

 

Visualizar Atentados no Afeganistão em um mapa maior

 

Enquanto isso, três militantes tentaram atacar uma base americana na cidade de Jalalabad. A polícia suspeitou de dois homens em uma bicicleta As forças americanas e afegãs mataram dois terroristas no local. Um policial afegão morreu durante a troca de tiros.

 

O Taleban tem reagido às operações militares com ataques que levam as mortes de soldados estrangeiros ao seu maior nível em quase oito anos de guerra. O grupo islâmico assumiu a responsabilidade por ambos os ataques, como parte da sua campanha para expulsar as forças ocidentais do país.

 

A violência cresce em todo o Afeganistão desde 2 de julho, quando milhares de soldados norte-americanos e britânicos iniciaram ofensivas na província de Helmand (sul), reduto dos produtores de ópio que fornecem sustento financeiro ao Taleban. Essas são as primeiras grandes operações desde que o governo norte-americano de Barack Obama adotou a estratégia de priorizar o combate à militância islâmica para tentar estabilizar o Afeganistão.

 

Milhares de soldados estrangeiros continuam chegando ao país, em parte para garantir a segurança na eleição presidencial de 20 de agosto, a segunda na curta história democrática afegã. Até o final do ano, os EUA devem ter 68 mil soldados no país. Este julho já é o mês mais letal da guerra para as forças estrangeiras no Afeganistão, inclusive para o contingente dos EUA

 

Soldados mortos

 

Um soldado britânico foi morto na segunda-feira em uma explosão na província de Helmand, no sul do  Afeganistão, local em que este mês 18 militares do Reino Unido perderam a vida, informou o Ministério da Defesa em Londres. O soldado morreu enquanto fazia uma patrulha no centro de Helmand, acrescentou a fonte.  Com a morte deste militar, sobe para 187 onúmero de soldados do Reino Unido que perderam a vida desde o começo das operações aliadas no Afeganistão, em 2001.

 

Também na segunda-feira, outra bomba à beira de uma estrada havia matado quatro soldados dos EUA no leste do país. Ao todo, os EUA já registraram 27 mortes de militares neste mês, superando as 26 de setembro de 2008.

 

Texto atualizado às 19h55. 

 

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