Eglin Air Force Base via AP
Eglin Air Force Base via AP

Sobe para 94 o nº de mortos pela 'mãe de todas as bombas' no Afeganistão

Segundo autoridades do país, vítimas são do EI; Ministério de Defesa deve divulgar, neste sábado, novos dados sobre o resultado da operação dos EUA

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2017 | 03h52
Atualizado 15 Abril 2017 | 09h14

CABUL - A 'mãe de todas as bombas', armamento não nuclear mais potente dos Estados Unidos, lançada na quinta-feira no leste do Afeganistão, destruiu um reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) em uma área montanhosa e matou pelo menos 94 de seus combatentes, informou neste sábado, 15, um oficial afegão, que descartou vítimas civis.

A bomba aérea de artilharia maciça (MOAB, na sigla em inglês) GBU-43/B, atingiu uma rede de túneis e cavernas utilizada pelo EI no distrito de Achin. Esta é a primeira vez que esta bomba de 9,8 toneladas, de força explosiva comparável a 11 toneladas de TNT, foi usada em combate.

"Com base nas informações iniciais que temos até agora, 92 membros do EI, em sua maioria estrangeiros e líderes, morreram", informou Attaullah Khogyanai, porta-voz do governador da província. Antes, o chefe do contingente americano no Afeganistão, general John Nicholson, informou em entrevista coletiva que já tinham sido contabilizadas 36 mortes em decorrência do ataque e não houvia baixas entre civis.

De acordo com um porta-voz das forças especiais afegãs em Nangarhar, havia apenas uma família no vale Mamand Dara, alvo da bomba. "Ontem recebemos a ordem para que os transferíssemos a família a vários quilômetros de distância (...) eles estão em segurança", indicou o oficial Ahmad Jawed Salim.

Em razão dos túneis e trincheiras, "era quase impossível avançar na área", explicou, informando que dois dias antes as tropas terrestres afegãs, alvo de uma emboscada, sofreram perdas. "Agora nossas forças podem avançar no vale, e por enquanto não encontramos resistência", afirmou.

O porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Dawlat Waziri, disse que as autoridades afegãs darão amanhã novos números sobre o resultado da operação e não confirmou os dados divulgados pelas autoridades de Nangarhar.

Por sua vez, o Estado Islâmico negou hoje, através de um site de propaganad usado pelo grupo que seus integrantes tenham morrido ou se ferido no ataque.

"Laboratório experimental". Esse artefato tem formalmente a denominação GBU-43/B, pesa pouco mais de nove toneladas e foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisas da Força Aérea americana. Essa é a mais potente bomba não nuclear jamais usada em combate", disse o porta-voz da Força Aérea, o coronel Pat Ryder.

Inicialmente, era destinada a intimidar o inimigo e limpar grandes áreas. "Essa explosão foi a mais poderosa eu já vi em toda a minha vida. Enormes colunas de fogo tragaram toda a área", disse Esmail Shinwari, governador do distrito de Achin.

Uma fonte próxima dos insurgentes afegãos indicou, sem revelar a sua identidade, que os habitantes da região sentiram o solo tremer "como durante um terremoto", e alguns desmaiaram devido ao poder aéreo. "As pessoas começaram a deixar a zona por medo de novos bombardeios", acrescentou.

No posto de fronteira de Torkham, entre o Paquistão e o Afeganistão, localizado várias dezenas de quilômetros do ponto de impacto, nenhum movimento incomum foi detectado.

Um porta-voz do taleban, Zabihullah Mujahid, condenou em um comunicado o bombardeio dos americanos que "utilizam o Afeganistão como um laboratório experimental", observando que eliminar Daesh era "o trabalho dos afegãos".

O ataque teve um impacto sobre os mercados. Os pregões asiáticos abriram em queda após as perdas em Wall Street no dia anterior. Também aumentou os temores dos investidores, já preocupados com a situação na Síria e Coreia do Norte, bem como as eleições presidenciais francesas.

Este bombardeio acontece uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra uma base aérea do regime sírio e no mesmo dia que o presidente Donald Trump advertiu que seu país iria "lidar com o problema" norte-coreano.

Militares da Otan estimam que no início de 2016 o EI treinava cerca de 3.000 combatentes no Afeganistão, embora esse número atualmente deva ser menor, entre 600 e 800 homens armados. Os Estados Unidos deslocaram 8.400 soldados para o Afeganistão, que formam, assessoram e apoiam as forças nacionais em seus combates contra o Taleban e o EI. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.