Ao menos 365 morreram nos 18 dias de protestos no Egito, diz governo

Número não inclui eventuais mortes de policiais e prisioneiros, segundo o ministério da Saúde

Estadão.com.br

16 de fevereiro de 2011 | 16h36

CAIRO - O Ministério da Saúde do Egito informou nesta quarta-feira, 16, que ao menos 365 pessoas morreram durante os 18 dias de protestos que tomaram conta do país no fim de janeiro em favor da renúncia do agora ex-presidente Hosni Mubarak. Foi o primeiro balanço oficial de mortes do país desde o fim dos distúrbios.

 

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O ministro Ahmed Sareh Farid disse que a cifra é apenas preliminar, diz respeito somente a civis e não inclui policiais ou prisioneiros. Durante os dias de protestos - que ocorreram de 25 de janeiro a 11 de fevereiro - houve enfrentamento dos opositores com simpáticos ao governo de Mubarak e com a polícia. Também houve relatos de saques durante alguns dias. A calma voltou ao Cairo após o ditador, que estava há 30 anos no poder, renunciar.

 

Houve também inúmeras denúncias de atos violentos contra jornalistas. O quarto do repórter do Estado no Egito foi invadido pela polícia. Profissionais da imprensa americana e do próprio Egito denunciaram agressões. Na terça, Lara Lohan, correspondente da CBS, disse ter sofrido abusos.

 

O país agora está no poder de um Conselho Militar. O Exército já reiterou o compromisso pelas reformas democráticas no país, mas tem pedido o fim das greves que se iniciaram durante o período de protestos. "Exigimos que os cidadãos e membros de sindicatos e uniões voltem ao trabalho", dizia uma mensagem enviada pelos militares aos telefones celulares dos egípcios.

 

Os militares ficarão no poder por seis meses. Eles já anunciaram que incluirão membros da oposição na equipe ministerial e criou uma comissão que, em pouco mais de uma semana, deve apresentar emendas à Constituição que serão submetidas a referendo. Em setembro, serão realizadas eleições parlamentares e presidenciais.

 

As revoltas no Egito começaram depois que o presidente da Tunísia também foi derrubado por protestos populares. Agora, países como Argélia, Iêmen, Bahrein, Irã e Líbia também vivem manifestações contra o governo. Há repressão na maioria desses locais.

 

Com AP.

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