Ao menos 41 capacetes-azuis são acusados de estupro na República Centro-Africana

Ao menos 41 capacetes-azuis são acusados de estupro na República Centro-Africana

Segundo a ONU, 139 mulheres teriam sido vítimas desses soldados, que também teriam abusado de 25 menores; organização admite epidemia de violações

Jami Chade - Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 19h08

Num dos maiores casos de abuso sexual envolvendo tropas de paz, a ONU anunciou nesta segunda-feira, 5, que pelo menos 41 soldados foram identificados como autores de estupros de 139 mulheres na República Centro-Africana (RCA). 

Ainda segundo a organização, 25 delas eram menores e pelo menos seis pedidos de reconhecimento de paternidade já foram apresentados aos escritórios da ONU.

Com casos de estupros em diversos países onde atua, a ONU admitiu que vive uma epidemia de violações por parte de seus próprios soldados, que estariam nesses locais para garantir a paz.

O caso específico revelado nesta segunda-feira se refere somente às tropas na RCA. No total, 139 vitimas prestaram depoimentos e acusaram os soldados de abusos sexuais entre 2014 e 2015. 

Usando fotos e outras evidências, os investigadores conseguiram identificar 41 soldados envolvidos nos crimes – 16 deles seriam do Gabão e 25, do Burundi. Para a ONU, cabe às autoridades dos dois países agir.

Mas o problema poderia ser ainda maior. Das 130 vítimas, 83 delas não conseguiram identificar os agressores - 25 crianças também foram abusadas. 

“A ONU condena todos os atos e vai insistir para que os governos tomem atitudes que levem essas pessoas à Justiça”, declarou a organização, em um comunicado. 

A ONU tem sido duramente criticada por não agir de forma suficientemente rápida para lidar com os autores dos crimes. No mesmo país investigado hoje, tropas francesas foram apontadas como culpadas de abusos sexuais. 

Um dos mais altos funcionários dessa força de paz, Anders Kompass, denunciou o caso. Mas foi punido internamente por sua atitude e o caso se transformou em uma polêmica internacional.

Agora, a ONU optou por uma reação mais rápida, assim que as primeiras denúncias surgiram, em março.

Mas o processo envolveu uma disputa interna entre agências da ONU e também abriu uma crise. As auditorias suspeitaram que muitas das vítimas contavam histórias parecidas e teriam sido auxiliadas pela Unicef. A entidade nega e critica os autores desses relatórios. 

 

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