David Ryder/Getty Images/AFP
David Ryder/Getty Images/AFP

Ao menos 45 são presos em protesto em Seattle enquanto atos avançam nos EUA

Protestos aumentaram no sábado após envio de tropas federais e confrontos entre ativistas e agentes federais em Portland

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 12h05
Atualizado 27 de julho de 2020 | 10h48

SEATTLE - Ao menos 45 pessoas presas e policiais ficaram feridos em confrontos no maior protesto do Black Lives Matter ocorrido em semanas na cidade de Seattle, no oeste dos Estados Unidos. Os protestos, que diminuíram nas últimas semanas, ganharam novo fôlego em várias cidades após confrontos violentos entre ativistas e agentes federais em Portland, em Oregon. Certa de 5 mil pessoas participaram dos atos em Seattle. 

A polícia disse que usou armas não-letais na tentativa de dispersar os milhares de manifestantes depois que alguns deles atearam fogo no local da construção de um centro de detenção juvenil. Houve uso de spray de pimenta e, nos confrontos, policiais e civis ficaram feridos.

"Vimos o que estava acontecendo em Portland e queríamos garantir que em nossa cidade estivéssemos em solidariedade com outras mães", disse Lhorna Murray, que participou em nome do recém-formado Wall of Moms Seattle, replicando uma tática de protestos de Portland em que mães, vestidas de amarelo, formam um muro humano entre manifestantes e policiais.

Em várias cidades, os manifestantes levavam cartazes com frases como "Federais vão para casa" e gritos de "Sem justiça, sem paz", em referência ao envio de tropas federais para os estados. O presidente Donald Trump disse na quinta-feira que expandiu o envio da polícia federal para Seattle, enfurecendo as autoridades locais e provocando raiva entre os manifestantes. 

A avaliação em diferentes regiões do país é que o envolvimento federal seja uma forma de obter apoio popular numa jogada política com foco nas eleições de novembro. Com 100 dias para a disputa, Trump aparece atrás do democrata Joe Biden nas principais pesquisas. 

Diversos prefeitos democratas afirmaram que não querem policiais usando roupas camufladas patrulhando suas ruas e investindo contra manifestantes. Para eles, se o governo federal deseja fornecer recursos para combater a violência, deve ajudar em casos de crimes com armas e não enviar policiais que tornarão ainda pior um verão já tenso. 

“A mobilização de agentes secretos especiais anônimos em nossas ruas detendo pessoas sem nenhum motivo e efetivamente as privando dos seus direitos e liberdades civis sem um processo devido - isto não vai acontecer em Chicago”, disse a prefeita Lori Lightfoot em uma coletiva.

Em Austin, no Texas, um homem foi baleado e morto durante um protesto. Em um vídeo da cena, manifestantes são vistos marchando através de um cruzamento. Segundos depois, cinco tiros soam, seguidos por várias outras pancadas fortes. O homem teria se aproximado de um veículo com um rifle antes de ser baleado e morto, disse a policial Katrina Ratcliff.

Ratcliff disse que a pessoa que atirou e matou o homem disparou de dentro do veículo. Essa pessoa foi detida e está cooperando com policiais, disse ela. Ninguém mais ficou ferido. 

Em Los Angeles, manifestantes entraram em conflito com policiais em frente ao tribunal federal do centro da cidade. Vídeos mostraram pessoas quebrando janelas. Manifestantes disseram que a polícia disparou projéteis contra eles. Nova York, Oakland, Richmond e Omaha também tiveram atos.

Fortemente armados

Um grupo de manifestantes com uniformes paramilitares e com armas pesadas como fuzis e espingardas também fez um protesto no sábado, em Louisville, capital do Kentucky, para pedir justiça para Breonna Taylor, uma técnica de medicina negra de 26 anos morta em março por policiais que invadiram seu apartamento.

De acordo com a polícia local, três pessoas ficaram feridas após confrontos entre as autoridades e os manifestantes. Um policial envolvido na morte de Breonna Taylor foi demitido pela polícia de Louisville no mês de junho e outros dois foram encaminhados para funções administrativas. O grupo pede que as investigações sejam mais rápidas e que haja mais transparência por parte das autoridades de segurança. / Reuters e NYT 

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