Ao menos 46 desertam do Exército líbio

Oficiais chegam à Tunísia de barco e pelo deserto; filho de Kadafi propõe eleições livres

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Ao menos 46 soldados e oficiais do Exército da Líbia desertaram ontem e fugiram para a Tunísia, em mais um sinal de divisão no governo de Muamar Kadafi. Pouco antes, numa aparente tentativa de pôr fim aos ataques da Otan ao país, o filho de Kadafi Saif al-Islam propôs a realização de eleições livres.

A maior parte dos desertores chegou de barco ao Porto de Ketf fugindo do aumento dos combates entre rebeldes e tropas de Kadafi. Um tenente-coronel teria atravessado o deserto e cruzado a fronteira no posto de Ben Guerdane para encontrar-se com a família. Desde o começo da semana, mostram dados do Exército tunisiano, 6,3 mil refugiados líbios entraram no país.

Em entrevista ao diário italiano Corriere della Sera, o filho de Kadafi disse que seu pai está disposto a organizar eleições livres e a deixar o poder caso seja derrotado. "A votação seria organizada em três meses - no máximo, até o final do ano - e sua lisura seria garantida por observadores internacionais", disse Saif.

Os rebeldes, no entanto, rejeitaram a oferta. Para o porta-voz dos insurgentes, Jalal el-Gallal, o filho de Kadafi não tem autonomia para fazer promessas. "A Líbia terá eleições livres e democracia plena quando a família Kadafi não estiver envolvida no processo", declarou.

Diplomacia. Rússia e China voltaram a expressar preocupação com os ataques da Otan na Líbia. Uma declaração conjunta assinada em Moscou pelos presidentes Dmitri Medvedev e Hu Jintao pede o fim da violência no país.

O governo italiano, por sua vez, anunciou que abrigará uma reunião de líderes tribais líbios com o objetivo de promover a reconciliação interna do país. Segundo o chanceler Franco Frattini, cerca de 300 pessoas, de todas as regiões, se encontrarão em Roma na semana que vem.

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