EFE/PRESIDENCIA DE ARGENTINA
EFE/PRESIDENCIA DE ARGENTINA

Ao menos 50 repressores da ditadura argentina obtiveram prisão domiciliar em 2016

De acordo com reportagem do jornal 'Clarín', decisões refletem mudança de doutrina nos tribunais em relação à gestão dos presidentes Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015)

O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2016 | 12h08

BUENOS AIRES - Vários juizados federais da Argentina decidiram desde fevereiro conceder prisão domiciliar a 50 militares e policiais que estavam presos por delitos de crime contra a humanidade cometidos durante a última ditadura (1976-1983), informaram fontes judiciais.

A decisão diz respeito a presos maiores de 70 anos e apela a motivos de saúde, indicou o jornal Clarín. Segundo o jornal, "isso reflete uma mudança de doutrina nos tribunais" em relação à gestão dos presidentes Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015), que fizeram do tema dos direitos humanos uma bandeira política que levou a centenas de julgamentos e prisões de repressores de um período militar que deixou 30 mil desaparecidos.

Outra mudança em relação à gestão kirchnerista, descrita como "um pesadelo para os repressores", é que o atual ministro da Defesa de Mauricio Macri, Julio Martínez, permitiu que os presos de crimes contra a humanidade voltem a ser atendidos em hospitais militares, o que havia sido proibido por seu antecessor, Agustín Rossi.

O governo de centro-direita de Macri tem tido uma relação tensa com os principais organismos de direitos humanos na Argentina, entre eles Avós e Mães de Praça de Maio.

O governo ratificou que os julgamentos de crimes contra a humanidade prosseguirão, mas o ministro da Justiça, Germán Garavano, reiterou que conceder prisão domiciliar "é uma questão dos juízes, não é impunidade e sim cumprimento da lei".

De acordo com o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), até março deste ano havia 666 condenados (50 falecidos) e 59 absolvidos. Mas, segundo este organismo, há 2.389 militares e membros das forças de segurança acusados: 1,2 mil deles livres, 1.132 detidos e 49 foragidos. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.