(Photo by MAHMUD HAMS / AFP)
(Photo by MAHMUD HAMS / AFP)

Israel ataca alvos em Gaza em resposta a foguetes lançados contra Tel-Aviv

Hamas, que controla território palestino, nega responsabilidade pelos disparos; retaliação ordenada pelo premiê israelense ocorre em plena campanha eleitoral, na qual Netanyahu tenta se manter no poder em meio a acusações de corrupção

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2019 | 18h03
Atualizado 15 de março de 2019 | 01h03

TEL-AVIV - As Forças Armadas de Israel lançaram na madrugada de quinta para sexta-feira ataques contra posições na Faixa de Gaza horas após dois foguetes serem disparados do território palestino contra a cidade de Tel-Aviv. O disparo, efetuado durante a campanha eleitoral em Israel, surpreendeu os militares israelenses, que não detectaram o lançamento com antecedência.

As forças de defesa de Israel disseram, em um comunicado divulgado nas redes sociais, que os bombardeios estavam sendo lançados contra alvos terroristas na Faixa de Gaza, sem dar mais detalhes sobre a operação. 

Uma fonte do setor de segurança em Gaza disse que os ataques israelenses provocaram graves danos em posições ocupadas por combatentes do movimento Hamas e também do grupo aliado Jihad Islâmica. Não havia informações sobre feridos. Aparentemente, as instalações tinham sido esvaziadas por precaução. Tanto o Hamas quanto a Jihad Islâmica negaram ter envolvimento com o disparos de foguetes contra Tel-Aviv.

Segundo o prefeito de Tel-Aviv, Ron Huldai, um dos foguetes lançados de Gaza caiu no mar e o outro, nos arredores de Tel-Aviv, que fica a 70 quilômetros da Faixa de Gaza. Um deles, ainda não está claro qual, foi derrubado pelo “Domo de Ferro”, o sistema antimísseis do país. “Estamos analisando qual grupo é responsável pelo disparo. Ainda não sabemos”, disse o porta-voz do Exército israelense, Ronen Manelis, logo após o lançamento dos foguetes. “Mas o Hamas é a principal organização em Gaza. É responsável pelo que acontece lá.”

O prefeito pediu aos moradores da cidade que continuassem com suas atividades normais, apesar do lançamento dos foguetes. “A vida continua”, disse. “Fiquemos calmos, mas alertas.” No entanto, em um sinal do risco de escalada, sirenes soaram nas comunidades israelenses próximas ao território palestino, para que os moradores se protegessem. 

Em Gaza, uma delegação egípcia foi orientada a deixar o enclave, diante do risco de retaliações israelenses. O Hamas também começou a desocupar prédios, temendo um bombardeio. O grupo, no entanto, não reivindicou a autoria do ataque, que, segundo o diário Haaretz, partiu do norte do território. 

Fontes do Hamas disseram ainda que sua ala militar estava justamente reunida com os emissários egípcios, que tentam negociar um cessar-fogo entre o grupo e Israel, quando o ataque ocorreu. 

No começo da semana, Israel atacou caminhões do Hamas no enclave depois de foguetes terem sido disparados contra o sul do país. Na ocasião, Binyamin Netanyahu alertou o grupo de que não hesitaria em reprimir ataques vindos do território, mesmo estando em plena campanha eleitoral, na qual o premiê tenta se manter à frente do governo, em meio a acusações de corrupção. “Sugiro que o Hamas não conte com isso”, disse Netanyahu. “Faremos o que for necessário para manter a segurança no sul do país.”

A Jihad Islâmica, outro grupo militante que atua em Gaza, também não reivindicou a autoria dos disparos. No território palestino, grupos salafistas inspirados pelo Estado Islâmico também ganharam força nos últimos anos.

No mês passado, o procurador-geral de Israel, Avijai Mandelblit, anunciou a intenção de denunciar Netanyahu por suborno, fraude e tráfico de influência. Na campanha, o primeiro-ministro, no cargo desde 2009, tem enfrentado a oposição do general Benny Gantz, um centrista que lidera as pesquisas e pode destronar o Likud como o partido mais votado de Israel.

O governo brasileiro condenou “de forma veemente” o lançamento de foguetes da Faixa de Gaza contra Tel-Aviv. “Nada pode justificar o disparo indiscriminado de foguetes contra centros urbanos, em ataques que têm como objetivo a população civil”, disse o Itamaraty em um comunicado. / AFP, EFE e AP.

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