AP Photo/Fernando Llano
AP Photo/Fernando Llano

Sobe para 26 número de mortos em protestos contra Maduro na Venezuela

Mortes ocorreram em Caracas e nos Estados de Táchira, Barinas, Portuguesa, Amazonas e Bolívar; ao menos 218 pessoas foram presas nos últimos três dias

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 15h44

CARACAS - A ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social afirmou que 26 mortes foram registradas entre esta quinta-feira, 24 e terça-feira em Caracas e nos Estados de Táchira, Barinas, Portuguesa, Amazonas e Bolívar. O governo do Estado de Táchira confirmou a morte de três pessoas. Ao menos 218 pessoas foram presas nos últimos três dias, segundo a ONG Foro Penal Venezolano, 175 deles detidos na quarta-feira.

A procuradoria confirmou à agência EFE que no Distrito de Sucre, no oeste de Caracas, duas pessoas morreram “em fatos que não envolvem funcionários de ordem pública”.

O Ministério Público está averiguando quatro mortes registradas “durante saques” que ocorreram no Estado de Bolívar, na fronteira com o Brasil, nas quais a entidade regional registrou várias manifestações contra o governo de Maduro.

Uma das vítimas foi identificada como Alixon Pizani, de 16 anos. Ele foi ferido com arma de fogo na terça-feira à noite no Distrito de Catia, em Caracas, mas não resistiu, informou ontem o Observatório Venezuelano de Conflito Social. Meios de comunicação locais asseguram que as vítimas do Estado de Bolívar também receberam disparos enquanto participavam de saques.

A governadora de Táchira, Laidy Gómez, indicou em sua conta no Twitter que cinco pessoas receberam disparos, e duas delas morreram após apresentar “ferimentos na região do tórax e na axila”.

Os incidentes violentos de Táchira, na fronteira com a Colômbia, ocorreram ontem em meio a um protesto antigoverno na capital, San Cristóbal, que tinha sido convocado pela oposição para assinalar a “ilegitimidade” de Maduro. A região é fortemente opositora. Os manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha.  

Milhares de pessoas se reuniram nas cidades de Caracas, Maracaibo, San Cristóbal, Barquisimeto, Mérida e Valência. O governo convocou chavistas para demonstrar apoio a Maduro, mas estes se reúnem em menor número. 

"Quero que Maduro vá embora para que esse país possa seguir com sua vida", diz o músico Manuel Alcantara, de 29 anos. 

 

A manifestação opositora era separada da chavista em Caracas por uma distância de 600 metros. "Estamos defendendo nossa pátria dos imperialistas", afirma Yanina Pacheco. 

Não há estimativas de público nas manifestações. Até o momento não houve indícios de violências nas passeatas. Pelo menos uma pessoa foi presa pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB)

Para Entender

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

Os protestos foram convocados pelo líder opositor, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como parte de uma estratégia de pressionar o chavismo dentro e fora da Venezuela.

Enquanto organizou assembleias de rua nas principais cidades do país para reunir opositores ao regime, recorreu ao front diplomático para angariar apoio de países vizinhos e dos Estados Unidos. Ao assumir o cargo, ele declarou Maduro "usurpador" por ter sido eleitas em eleições não reconhecidas pela oposição e a comunidade internacional. /EFE, AP e AFP

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